Pular para o conteúdo

Walter Maciel defende cortes em aposentadorias

CEO da AZ Quest recomenda que eventual presidente Flávio Bolsonaro priorize ajustes rápidos em gastos com aposentados e servidores antes de temas como emendas e renúncias fiscais.

O empresário Walter Maciel, CEO da gestora AZ Quest e eleitor declarado de Flávio Bolsonaro, defendeu que um eventual governo do candidato do PL priorize inicialmente o corte de gastos com aposentados, servidores públicos e o Judiciário. Em entrevista, Maciel sugeriu que medidas como o combate às emendas parlamentares e às renúncias fiscais fiquem para uma etapa posterior da gestão.

Segundo Maciel, das despesas públicas, as que envolvem aposentadorias e servidores podem oferecer os "frutos baixos" para um ajuste fiscal mais rápido e efetivo. Ele frisou que o maior gasto atual não é o orçamento secreto, que soma cerca de R$ 60 bilhões, mas os custos relacionados à Previdência.

O CEO da AZ Quest destacou que o reajuste das aposentadorias não deve ser equiparado ao do salário dos trabalhadores ativos, uma vez que os aposentados já participaram do crescimento econômico passado. Ele afirmou que, corrigindo apenas a inflação, haveria uma economia estimada em R$ 1,2 trilhão se a Previdência fosse "descruzada" dos benefícios vinculados ao salário mínimo.

Leia também: TRE retira propaganda irregular de Flávio Bolsonaro em escola de samba

Além disso, Maciel sublinhou a necessidade de uma reforma administrativa que diminua o salário inicial dos servidores, controle o crescimento das carreiras e elimine "penduricalhos" no Judiciário. Para ele, é imprescindível conter esses gastos para equilibrar as contas públicas.

Por outro lado, Maciel pediu cautela em relação à redução de renúncias fiscais, como a manutenção da Zona Franca de Manaus, recomendando que decisões mais polêmicas fiquem para quando o governo estiver mais consolidado e popular.

Na visão do executivo, o novo governo deve agir com calma e evitar confrontos diretos, especialmente com o Supremo Tribunal Federal (STF), para não abrir muitas frentes de batalha simultaneamente. Ele advertiu que embates intensos podem prejudicar a estabilidade política e afastar investidores estrangeiros, que já demonstram receio devido a decisões como a recente proibição das apostas online, citada por ele como exemplo de insegurança jurídica.

Maciel ponderou que a prioridade de um eventual presidente Flávio Bolsonaro deve ser o ajuste fiscal gradual, conquistando popularidade com as primeiras medidas para depois avançar em outras reformas. Segundo ele, um ajuste de cerca de 1% do PIB no primeiro ano, com sinalizações claras ao mercado de continuidade, pode promover a redução dos juros e a valorização do real, catalisando o crescimento econômico.

Sobre a controversa gravação em que Flávio Bolsonaro solicita recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Maciel qualificou o episódio como "feio e impróprio", questionando sua efetividade e ressaltando que o candidato não teria capacidade de influenciar diretamente instituições como o STF, a Procuradoria Geral da República ou a Polícia Federal.

📰 Veja também