Pular para o conteúdo

Nubank e Revolut disputam mercado bancário dos EUA

Nubank lançou oferta nos EUA; Revolut busca regulamentação plena para expansão no país.

O Nubank, banco digital brasileiro, e a fintech britânica Revolut se enfrentam na corrida para expandir suas operações nos Estados Unidos, buscando conquistar espaço em um mercado complexo e altamente competitivo.

Ambas as empresas receberam neste ano aprovações condicionais para licenças bancárias no país. Nesta segunda metade de 2026, o Nubank lançou oficialmente sua oferta nos EUA, enquanto a Revolut mantém uma presença limitada, mas planeja ampliar suas operações ao obter plena regulamentação.

Os reguladores americanos vêm oferecendo uma janela regulatória considerada permissiva, o que tem sido aproveitado pelas fintechs para aumentar sua participação no mercado. O segmento bancário nos EUA é marcado por uma rede densa de regras estaduais e federais, abrigando milhares de instituições, desde bancos comunitários a grandes conglomerados financeiros.

Leia também: Ações do Nubank caem 10% com negociação do Monzo

A Revolut, avaliada em aproximadamente US$ 115 bilhões, planeja uma oferta pública inicial em 2028 e depende do crescimento no mercado americano para justificar sua avaliação. Segundo Nigel Morris, cofundador da Capital One, "os EUA representam o maior prêmio para qualquer fintech".

O Nubank, avaliado em US$ 67 bilhões, já é o banco com maior número de clientes no setor privado brasileiro e expandiu-se para países da América Latina, contando atualmente com mais de 135 milhões de clientes.

Ambas as empresas adotam estratégias focadas na oferta de produtos digitais e taxas competitivas. Nubank oferece rendimento de 3,5% ao ano para clientes americanos sobre o saldo das contas-correntes, elevando a 4,5% para usuários do cartão de crédito, prática pouco comum nos bancos tradicionais do país.

A Revolut aposta em produtos voltados para pessoas que lidam com múltiplas moedas, como estudantes e profissionais que vivem no exterior, buscando nichos ainda pouco explorados. Já o Nubank planeja utilizar sua experiência em crédito ao consumidor para atender americanas de baixa e média renda, segmento com poucas opções conforme sua avaliação.

Ambas as instituições também visam o crescente mercado de remessas entre os EUA e a América Latina, estimado em US$ 160 bilhões, um potencial para alavancar sua base de clientes, sobretudo com a presença do Nubank em Miami e o reconhecimento de sua marca entre os latino-americanos.

Apesar da expectativa elevada, especialistas destacam a saturação do mercado bancário americano, onde a concorrência é intensa e a fidelidade dos clientes a cartões e bancos tradicionais representa um desafio. John Cronin, diretor da SeaPoint Insights, aponta que a Revolut pode enfrentar dificuldades devido à limitada experiência em concessão de crédito.

As fintechs têm optado por testar o mercado com abordagens cautelosas, priorizando a adaptação às demandas locais em vez de grandes campanhas de marketing. Executivos da Revolut indicam um período inicial de até três anos sob rigor regulatório para lançamento gradual de produtos, que incluem contas, empréstimos e financiamento imobiliário.

O Nubank anunciou ainda a conta global, regulamentada na Suíça, que permite movimentação internacional em stablecoins lastreadas em dólar e euro, reforçando seu caráter globalizado.

Na avaliação de especialistas e investidores, como Nigel Morris, a consolidação dessas operações será um processo gradual, com as empresas levando alguns anos para decifrar o mercado americano.

📰 Veja também