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PF adia depoimento de André Esteves no caso Banco Master

Defesa do dono do BTG Pactual pediu adiamento devido a compromissos, e nova data para depoimento ainda não foi marcada.

A Polícia Federal adiou o depoimento do dono do BTG Pactual, André Esteves, marcado para esta segunda-feira (5), no âmbito do inquérito que investiga a fiscalização do Banco Central sobre o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

O adiamento foi solicitado pela defesa de Esteves, que alegou compromissos profissionais no mesmo dia. Até o momento, não há nova data agendada para que ele preste seu depoimento.

Também foram intimados para testemunhar no caso o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e seu antecessor no cargo, Roberto Campos Neto, que esteve à frente da instituição entre 2019 e 2024. A previsão é que Galípolo seja ouvido nesta terça-feira (6) e Campos Neto na quarta (7), embora ambos possam requerer adiamento dos depoimentos. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria do Banco Central e a defesa de Campos Neto não confirmaram possíveis mudanças nas datas.

Leia também: Galípolo reclama da demora na fiscalização do Banco Master

Além deles, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, deve depor na quinta-feira (7) sobre a investigação.

Contexto do inquérito

O inquérito apura supostas irregularidades envolvendo dois ex-executivos do Banco Central: Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização. Segundo a investigação, eles teriam favorecido os interesses de Daniel Vorcaro dentro do Banco Central, compartilhando informações sigilosas sobre a fiscalização ao Banco Master.

A defesa dos ex-executivos nega as acusações de favorecimento à Vorcaro.

Em depoimento, Paulo Sérgio Neves afirmou que o banco de André Esteves detectou uma fraude no valor de R$ 32 bilhões no Banco Master após concluir uma due diligence em novembro de 2024. Conforme relato, Campos Neto participou de reunião sobre o assunto, tendo recebido comunicação verbal por telefone do BTG sobre o tema em 29 de novembro. O diretor Ailton teria orientado que Campos Neto fosse a São Paulo para a apresentação feita em 3 de dezembro de 2024, que incluiu a presença do então presidente do Banco Central.

Daniel Vorcaro declarou em mensagens que o Banco Central o autorizou a se reunir com Esteves em abril do ano passado para discutir uma proposta. Por sua vez, o BTG negou interesse na compra do Banco Master, afirmando ter realizado apenas aquisições pontuais de ativos não problemáticos em momentos de baixa liquidez.

Ailton de Aquino, que também prestou depoimento, relatou que o BTG solicitou ao Banco Central, em outubro de 2025, uma carta de conforto para compra de ativos do Banco Master, similar ao pedido da J&F na aquisição da Korv Seguradora, com o objetivo de evitar questionamentos da operação como fraude. O Banco Central decretou a liquidação do Master em 18 de novembro de 2025.

De acordo com Ailton, os ex-servidores investigados participaram de diversas reuniões para discutir o caso Master antes de serem alvo da investigação. Ele destacou a existência de um ambiente hostil no Banco Central durante o processo decisório, com frequentes vazamentos de informações e falta de confiança interna, levando à decisão de liquidação do banco.

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