Galípolo reclama da demora na fiscalização do Banco Master
Presidente do Banco Central declarou que enfrentou resistência de servidores para apresentar análises sobre o Banco Master.
Brasília - O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) afirmando ter esgotado seu "repertório de palavrões" ao pressionar servidores da área de Supervisão Bancária devido à demora na fiscalização do Banco Master, instituição financeira vinculada a Daniel Vorcaro. Segundo Galípolo, houve resistência por parte de funcionários encarregados de apresentar análises solicitadas pela autarquia.
O depoimento do presidente do BC, prestado na terça-feira (6), faz parte de um inquérito que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e ex-servidores do BC, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza. Belline foi chefe da Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio, diretor de Fiscalização e chefe adjunto da mesma área. A defesa dos dois nega favorecimento ao ex-banqueiro Vorcaro.
Em relatório policial, Galípolo relata que houve diversas reuniões amplas incluindo diretoria e técnicos, nas quais cobrou com intensidade as análises do balanço do Banco Master, questionando a demora em receber partes claras e importantes das informações requisitadas, especialmente aquelas relacionadas a comunicações à polícia e Ministério Público.
O presidente do BC também descreveu que a produção do comunicado sobre as fraudes ao Ministério Público foi um "processo de parto a fórceps", demandando repetidas cobranças e exaltação para que fosse elaborado. Segundo ele, a demora na entrega das análises foi uma constante ao longo de 2025, o que levou à sugestão de registrar atas das reuniões para documentação.
Segundo as defesas, o depoimento de Galípolo não trouxe indícios concretos de irregularidades nas atuações de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza. A defesa destacou que formalizações de irregularidades e medidas de supervisão rigorosas foram tomadas antes de 2025 e que as ações para a liquidação extrajudicial do conglomerado estavam em curso no primeiro trimestre daquele ano.
Durante o depoimento, Galípolo comentou que houve confrontos na diretoria sobre lançamentos do balanço e a negociação da aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Ele observou que Paulo Sérgio teria tentado produzir documentos além de sua alçada e manifestado apoio à compra, atitude que Galípolo julgou "exótica".
Ao tratar da liquidação do Banco Master em novembro de 2025, o presidente revelou preocupação com vazamentos de informações internas, que pareciam chegar a acionistas e dirigentes do banco. Em resposta, uma equipe paralela foi criada para reavaliar as carteiras financeiras, sem a participação dos ex-supervisores suspeitos.
Galípolo relatou ainda ter comunicado a Polícia Federal, alertado por receios de que o ex-banqueiro Vorcaro pudesse tentar escapar, após um pedido de reunião urgente pelo Master na véspera da liquidação da instituição.
Investigações internas do Banco Central apontaram que Belline Santana simulou contratos para ocultar recebimento de propina ligada ao Master, enquanto Paulo Sérgio teria falsificado uma venda de propriedade imobiliária para o mesmo fim. O caso está sob análise da Controladoria-Geral da União (CGU) em processo disciplinar que pode resultar na expulsão dos servidores.
Além de Galípolo, a Polícia Federal convocou para depoimentos o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, o banqueiro André Esteves e o diretor Aílton de Aquino, cujas oitivas foram adiadas.
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