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Financiamento de veículos bate recorde em 15 anos

Apesar do aumento no financiamento de veículos, inadimplência dos contratos chega a patamar recorde desde 2012, segundo Banco Central.

Em 2026, o financiamento de veículos no Brasil alcançou o maior volume em 15 anos, segundo dados recentes compilados pela empresa Trillia e pelo Banco Central. Mesmo diante de um cenário de juros elevados e comprometimento da renda das famílias, o setor de aquisição parcelada de automóveis tem apresentado crescimento, acompanhado por um aumento expressivo na inadimplência.

Em agosto, foram financiadas 683.928 unidades, o maior número para o mês desde 2011. De janeiro a agosto deste ano, 5,136 milhões de veículos novos e usados foram financiados, o que representa um crescimento de 10% sobre o mesmo período de 2025. Em termos financeiros, os bancos concederam R$ 173 bilhões para a compra de veículos até julho, superando os R$ 150 bilhões registrados nos anos anteriores no mesmo período.

Aumento da inadimplência e suas consequências

Apesar do aquecimento do mercado, a inadimplência cresce, atingindo em julho índices que não eram vistos desde 2012 para pessoas físicas, com 6,63% dos financiamentos em atraso superior a 90 dias. Para pessoas jurídicas, o índice chegou a 5,62%, maior valor desde 2016, ano associado à recessão econômica no Brasil.

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Especialistas apontam que o aumento da inadimplência influencia diretamente os processos de aprovação de crédito. Os bancos adotam critérios mais rígidos para evitar exposição a riscos elevados, restringindo a concessão de financiamento para perfis considerados menos resilientes financeiramente.

Perfil do consumidor e medidas dos bancos

Alexandre Papa, diretor de auto, usados e motos do Santander Financiamentos, informou que o banco tem ajustado a política de crédito, orientando-se por um perfil de clientes com maior capacidade de pagamento. Conforme o score de crédito, clientes com menor pontuação precisam dar entradas maiores, que podem variar entre 20% e 30% do valor do veículo, enquanto clientes com bons perfis podem financiar até 60 meses sem entrada.

Além disso, a popularização de veículos elétricos e híbridos entra como um fator auxiliar na estabilidade da inadimplência. Montadoras chinesas vêm oferecendo financiamentos com taxa zero a compradores que efetuam entradas expressivas. A economia gerada nos custos de combustível e manutenção desses veículos também contribui para que as parcelas sejam pagas com maior facilidade, especialmente para motoristas de aplicativos.

Programa federal impulsiona o setor

O programa Move Brasil, criado em junho de 2026, é um programa governamental que subsidia a aquisição de veículos para profissionais do transporte, como entregadores e motoristas de aplicativo. Até o momento, R$ 5,3 bilhões em vendas foram feitas, totalizando 51 mil veículos comercializados. São permitidos modelos flex, elétricos, híbridos ou movidos a etanol com preço de até R$ 200 mil.

Apesar do avanço nas vendas motivado pelo programa, o consultor Milad Kalume destaca que a inadimplência já era uma preocupação anterior à criação do Move Brasil, com indicadores do Banco Central considerando apenas financiamentos convencionais, sem incluir os realizados com recursos do BNDES ou de programas governamentais.

Mudanças nas políticas de financiamento

Ricardo Bonzo, diretor de veículos do C6 Bank, comentou que o banco mantém uma entrada média de 40%, buscando evitar concessões inconsequentes que poderiam gerar problemas para a indústria automobilística e o sistema financeiro. A inadimplência atual está distribuída de maneira homogênea entre as classes sociais A a D, sem concentração específica.

Na década anterior, os bancos adotavam prazos mais longos e financiavam parcelas maiores, o que contribuiu para a alta inadimplência. Atualmente, a maior rigidez na aprovação e a exigência de maiores entradas visam reduzir riscos.

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