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Empresário da Carbono Oculto ganhou 570 prêmios na loteria

Antonio Carlos Freixo Júnior é apontado como operador financeiro em esquema de lavagem de dinheiro e envolvido no financiamento do filme Dark Horse.

Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, figura central nas investigações da terceira fase da Operação Carbono Oculto, foi identificado como um dos principais operadores financeiros responsáveis pela lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Entre 2020 e 2025, ele apareceu em 570 comunicados oficiais como ganhador na loteria, acumulando prêmios que totalizam R$ 176,4 milhões, conforme apurado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Freixo Júnior é proprietário da Entre Investimentos, empresa que teria sido usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro para realizar o envio de recursos que viabilizaram o financiamento do filme "Dark Horse", obra audiovisual que trata da eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele firmou em setembro de 2026 acordo de delação premiada com a PGR, aprofundando os detalhes das operações.

Ligação com grupos criminosos e estrutura financeira

Segundo o Ministério Público de São Paulo, a Entre Investimentos prestava serviços financeiros para a organização criminosa chefiada por Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo" — ambos foragidos. O uso constante de jogos de apostas é interpretado pelas autoridades como mecanismo para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Leia também: MP-SP e Receita lançam 3ª fase da Operação Carbono Oculto

Investigações também apontam que a fintech Entrepay, vinculada ao Grupo Entre e comandada por Freixo Júnior, recebeu R$ 166,5 mil da Ceopag — entidade suspeita de ter sido usada por empresas ligadas aos citados líderes criminosos.

A atuação da Entre Investimentos e Participações, conforme a Polícia Federal, era operacional para Vorcaro, abrindo caminho para repasses financeiros e a movimentação de dinheiro vivo, muitas vezes transportado em malas devido ao volume.

Recursos enviados ao exterior e suspeitas

O destino dos recursos enviados pela Entre foi o fundo Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos e controlado por Paulo Calixto, advogado associado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A suspeita das autoridades é de que parte do dinheiro pode ter sido destinada a Eduardo Bolsonaro, embora oficialmente tenha sido para o financiamento do filme.

Em declaração recente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os valores enviados ao exterior para custear a produção do filme podem ter origem em atividades de lavagem de dinheiro vinculadas ao mesmo grupo criminoso, destacando que a liquidez dessas operações provavelmente provém de uma fonte única.

Histórico profissional e apurações jurídicas

Com mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro, Freixo Júnior iniciou sua trajetória no Banco Nacional como office-boy e passou por instituições como Banco Garantia e Credit Suisse. Em 2022, fundou a Entrepay, focada em meios de pagamentos para empresas.

O executivo e as empresas associadas a Vorcaro são investigados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por supostos esquemas no mercado de fundos imobiliários, incluindo manipulação de ativos e geração artificial de liquidez, acusações negadas por todos os envolvidos.

Em 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay e outras empresas do Grupo Entre. Freixo também participou recentemente da aquisição dos ativos digitais da Editora Três, passando a controlar os portais IstoÉ e IstoÉ Dinheiro.

Posicionamento da Entre Investimentos

Em resposta às apurações, o Grupo Entre declarou que não possui vínculo societário com Daniel Vorcaro ou com as operações do Master, salientando que sua participação na Consiglog foi minoritária e limitada a investimento financeiro, sem envolvimento operacional ou estratégico.

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