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MP-SP e Receita lançam 3ª fase da Operação Carbono Oculto

Investigação mira esquema com movimentação de R$ 11,6 bilhões usando empresas e fintechs para ocultar controle de distribuidora de combustíveis.

Agente da Receita Federal cumpre mandado de busca e apreensão em imóvel de investigado na nova fase da Operação Carbono Oculto - Divulgação Polícia Federal
Agente da Receita Federal cumpre mandado de busca e apreensão em imóvel de investigado na nova fase da Operação Carbono Oculto - Divulgação Polícia Federal

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Receita Federal deflagraram, nesta quinta-feira (24), a terceira fase da Operação Carbono Oculto, que investiga um complexo esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

Segundo as autoridades, o grupo sob investigação teria movimentado aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre os anos de 2021 e 2025, utilizando estruturas empresariais, fintechs, fundos de investimento e operações financeiras com o objetivo de fragmentar recursos e camuflar sua origem e destino reais.

Alvo desta fase e atuação da investigação

O foco desta etapa da operação está na estrutura utilizada para ocultar o controle da Terrana, distribuidora de combustíveis também conhecida como Tobras Distribuidora de Combustíveis. A investigação aponta que a aquisição da Terrana teria sido realizada por meio de diversos veículos empresariais, dificultando a identificação dos verdadeiros controladores.

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Na ação desta quinta-feira, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em sete estados, envolvendo 24 empresas e 13 pessoas físicas, todas relacionadas com o setor financeiro e de combustíveis.

Envolvidos e conexões financeiras

Entre os investigados estão um ex-executivo do Banco Genial, Humberto Arthur Tupinambá Neto, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá, que foram citados nos mandados. O Banco Genial informou que Humberto foi destituído da instituição em maio de 2026, que colaborou com as investigações fornecendo informações ao Gaeco e adotou medidas adicionais de governança, incluindo a revisão das operações de crédito.

Além disso, há menção à Entre Investimentos, empresa ligada ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, que tem conexões com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A Entre Investimentos aparece também no contexto do financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro, com recursos que, conforme delação premiada, foram enviados ao exterior.

Modus operandi e uso de empresas de fachada

O Ministério Público detalha que o esquema consistia no uso de múltiplas camadas de empresas, fintechs e fundos de investimento para fragmentar e ocultar o trajeto do dinheiro, dando uma aparência legítima às operações e dificultando a identificação dos beneficiários finais. Uma usina sucroalcooleira teria sido usada na estrutura financeira para aquisição da distribuidora, com cerca de R$ 100 milhões transacionados por meio de contas de empresas e fintechs antes de atingir a Terrana.

Também foram encontrados cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios da Terrana discutidos na Justiça, que teriam passado por fundos controlados pelo mesmo grupo responsável pela distribuidora.

Repercussão

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a companhia como "entidade-chave da lavanderia do sistema financeiro nacional" e destacou o volume movimentado pelo esquema como indicativo de ilícitos envolvendo ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro.

A Folha de São Paulo tentou contato com a Entre Investimentos, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem.

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