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CGU: 93% dos contratos Master têm assinaturas após validade

Auditoria da CGU aponta contratos assinados após início da vigência no Banco Master, reforçando suspeitas de irregularidades no crédito consignado do INSS.

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, prestando depoimento à Polícia Federal em 28 de agosto de 2026 - Reprodução - 28.ago.26/Uol
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, prestando depoimento à Polícia Federal em 28 de agosto de 2026 - Reprodução - 28.ago.26/Uol

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que 93,3% dos contratos de crédito consignado firmados pelo Banco Master foram iniciados antes da assinatura dos beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Isso significa que a maioria dos contratos começou a valer em data anterior à formalização por parte dos aposentados e pensionistas.

Segundo o relatório da CGU, as assinaturas nos contratos surgiam no dia seguinte à data de início em 2,8% dos casos, enquanto em 90,5% dos contratos as assinaturas foram registradas dois ou mais dias após a vigência contratual. Nenhuma outra instituição financeira apresentou índice tão elevado de casos com assinaturas posteriores ao começo dos contratos.

A fiscalização detalhou que a autorização para consignação e descontos nos benefícios deve contar necessariamente com manifestação expressa via assinatura com reconhecimento biométrico, condição indispensável para a validação do contrato consignado. A CGU ressaltou que a ausência dessa comprovação inviabiliza a averbação do contrato.

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Foram examinados 165.990 contratos entre 2019 e 2025, dos quais 154.867 apresentaram irregularidades ligadas à temporalidade das assinaturas, a maioria deles relacionados ao Banco Master. A auditoria admitiu que parte desses resultados pode ser decorrente de erros no preenchimento das informações, o que pode comprometer a correta contabilização dos valores financiados.

O Banco Master, liderado até recentemente por Daniel Vorcaro, é alvo de investigação pelo Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal sob suspeita de envolvimento em fraudes na operação de crédito consignado, inclusive envolvendo o cartão Credcesta. Esses resultados da CGU corroboram indícios de irregularidades nesse setor do banco, que permitiram operações questionadas com aposentados e pensionistas do INSS.

Em nota oficial, o INSS informou que encerrou a parceria com o Banco Master em setembro de 2025, após cinco anos de vigência, e que vem aperfeiçoando seus processos relacionados ao crédito consignado para evitar irregularidades, incluindo bloqueios automáticos para evitar descontos indevidos em casos de óbito. O órgão declarou também que instaurou processos e firmou termos de compromisso para apurar as ocorrências apontadas pela auditoria.

A CGU identificou ainda que 62,4% dos contratos do Banco Master apresentaram insuficiente reconhecimento biométrico, requisito necessário para validar a identidade do beneficiário. Além disso, foram encontrados mais de 110 mil contratos assinados com CPFs de pessoas já falecidas ao longo da última década, afetando diversas instituições financeiras, incluindo o Banco Master.

O tema da relação entre autoridades e Daniel Vorcaro ganhou destaque no Supremo Tribunal Federal (STF), em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal que revelaram possíveis conexões entre o ex-banqueiro e ministros do tribunal e outras autoridades.

A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos pedidos de esclarecimentos enviados pela reportagem. A continuidade das apurações está em curso, com medidas judiciais e administrativas para esclarecer e punir eventuais irregularidades envolvendo o crédito consignado destinado a beneficiários do INSS.

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