Pular para o conteúdo

Defesa de Vorcaro chama mensagens em ‘A Turma’ de desabafos

Após depoimento à Polícia Federal, defesa do ex-banqueiro nega envolvimento em atos de violência ou ameaça em investigação sobre grupo intimidador.

Vorcaro durante depoimento por vídeo à Polícia Federal em 28 de agosto em uma sala na Papudinha; ao fundo, o advogado Thiago Machado - Reprodução - 28.ago.2026/Uol
Vorcaro durante depoimento por vídeo à Polícia Federal em 28 de agosto em uma sala na Papudinha; ao fundo, o advogado Thiago Machado - Reprodução - 28.ago.2026/Uol

A defesa de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, divulgou uma nota relacionando as mensagens encontradas no celular dele, investigadas pela Polícia Federal (PF), como "desabafos oriundos de recortes maliciosos de mensagens privadas". O comunicado foi emitido após Vorcaro prestar depoimento virtual de cerca de duas horas à PF, nesta quarta-feira (30).

Vorcaro é investigado no inquérito que apura o grupo chamado "A Turma", que teria sido utilizado para intimidar pessoas consideradas adversárias do banco. A defesa destacou que o ex-banqueiro nunca praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça.

Segundo os advogados, as falas atribuídas a Vorcaro no grupo foram proferidas em momentos de indignação e não resultaram em consequências práticas ou riscos reais para terceiros. Entre as mensagens citadas na investigação, Vorcaro teria sugerido monitorar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e menciona a intenção de agredi-lo fisicamente, o que foi acompanhado pela confirmação de outro integrante do grupo, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário.

Leia também: Campos Neto convidou Vorcaro para reunião em SP

Luiz Phillipi Mourão recebia R$ 1 milhão por mês por atividades como obtenção de informações sigilosas, coação e confecção de dossiês para o grupo. Mourão cometeu suicídio na cela da Superintendência da PF de Minas Gerais em 4 de março, logo após sua prisão durante a Operação Compliance Zero.

A defesa afirmou que Vorcaro conhecia apenas Mourão dentro do grupo e mantinha com ele um contrato formal de prestação de serviços de inteligência e segurança digital. Reiteraram que não havia grupos organizados ou estruturas criminosas envolvendo Vorcaro, reforçando a inexistência de ilícitos atribuíveis a ele.

A PF também detectou acessos a processos sigilosos por meio de logins funcionais de servidores do Ministério Público Federal (MPF) utilizados pelo grupo investigado. Porém, a defesa garantiu que Vorcaro sempre buscou medidas judiciais oficiais e legais e jamais solicitou ações ilegais ou acessos não autorizados.

Além disso, foi destacado que não existia plano de fuga por parte de Vorcaro, que foi preso em novembro de 2025 ao tentar embarcar para Malta. A defesa afirmou que ele havia comunicado a viagem a diversas autoridades, com reservas e registros oficiais.

Por fim, os advogados criticaram o vazamento e uso indevido de mensagens protegidas por sigilo entre Vorcaro e seus advogados, pedindo que o ex-banqueiro aguarde o desfecho das investigações em liberdade, pois ainda não há acusação formal ou denúncia contra ele e que as razões para sua prisão não persistem.

📰 Veja também