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CEO da Nomad diz que fintech visa virar banco no Brasil

Lucas Vargas, CEO da Nomad, destaca expansão de produtos de pagamento para fortalecer presença da fintech no Brasil e discute desafios regulatórios.

O CEO da Nomad, Lucas Vargas, concede entrevista ao C-Level da Folha de S.Paulo - Reprodução - 5.out.26/Estúdio 3LADOS
O CEO da Nomad, Lucas Vargas, concede entrevista ao C-Level da Folha de S.Paulo - Reprodução - 5.out.26/Estúdio 3LADOS

O CEO e cofundador da Nomad, Lucas Vargas, revelou que a fintech planeja ampliar sua atuação no Brasil por meio da expansão de produtos de pagamento, com a perspectiva, em um futuro não definido, de se tornar um banco. A declaração foi dada durante participação no videocast C-Level Entrevista da Folha.

Segundo Vargas, a estratégia inclui a criação de um ambiente doméstico capaz de oferecer uma conta pós-paga no Brasil associada a cartão de crédito e outros produtos de pagamento com remuneração, construindo assim uma categoria de banco diário, ou "daily banking".

Modos de contas e postura regulatória

O executivo explicou que no Brasil existem dois tipos de contas de pagamento: as pré-pagas, que dependem de depósitos prévios, e as pós-pagas que não exigem aporte antecipado, como os cartões de crédito. Para a Nomad, a meta é desenvolver esse ecossistema de serviços financeiros para o público nacional.

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Lucas Vargas criticou o aperto regulatório imposto pelo Banco Central, afirmando que existem riscos de que o endurecimento das regras para o setor de fintechs represente um freio para a inovação. "Não nos afeta diretamente, mas para a indústria como um todo, é um grande freio", disse.

Crescimento e desafios no cenário brasileiro

A Nomad esperava alcançar cinco milhões de clientes em 2026, meta que o CEO acredita que será atingida. A empresa tem crescido na faixa de aproximadamente um milhão de clientes novos por ano e ultrapassou a marca de R$ 10 bilhões em ativos sob custódia em moeda estrangeira.

Sobre o aumento da alíquota do IOF para 3,5% nas operações com cartão no exterior, Vargas afirmou que, apesar de ser um fator que dificulta, não causou um impacto relevante para desacelerar a adoção dos produtos pela base brasileira, que ainda é pequena. Ele acredita que no longo prazo as taxas deverão ser revistas e tendem a reduzir.

Medidas de compliance e riscos de inadimplência

Em relação às preocupações com o uso de fintechs pelo crime organizado, como constatado na operação Carbono Oculto da Polícia Federal, o CEO informou que a empresa possui rigorosos processos de avaliação e restrição de clientes. Segundo ele, 100% das transações na Nomad são feitas dentro da mesma titularidade, sem aceitar dinheiro em espécie, o que reduz significativamente o risco de lavagem de dinheiro.

Sobre a inadimplência nos cartões de crédito da Nomad, Vargas reconheceu um aumento, porém afirmou que os índices ainda são melhores que os verificados em segmentos similares do mercado devido às restrições internas da empresa.

Perspectivas para o futuro e atuação no Brasil

Lucas Vargas não falou em prazo definido para que a Nomad obtenha licença de banco, mas confirmou que essa é uma possibilidade a médio ou longo prazo. Para agora, o foco maior está no desenvolvimento de uma prateleira de produtos financeiros que fortaleça a presença da fintech no mercado nacional.

Questionado sobre as novas regulamentações do Banco Central para o cartão de crédito e o impacto na concentração do mercado, o CEO disse acreditar que as medidas podem levar a uma maior concentração e reduzir a inovação no setor.

Por fim, quanto ao impacto de oscilações políticas e econômicas, como o resultado das eleições presidenciais, Vargas disse que a Nomad trabalha pensando no longo prazo, diversificando seus negócios para aproveitar tanto momentos de instabilidade quanto períodos de estabilidade e valorização do real.

Lucas Vargas é formado em administração pela UFRJ, engenharia pelo IME e possui MBA pela Universidade de Harvard. Antes da Nomad, foi CEO do Grupo ZAP.

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