Alta nos custos de financiamento eleva risco de calotes nos EUA
Setor corporativo dos EUA enfrenta aumento histórico de custos para crédito, afetando planos e aumentando riscos financeiros.
Uma forte elevação nos custos de financiamento para empresas americanas, especialmente para aquelas com classificação de crédito mais baixa, está provocando mudanças nos planos corporativos e aumentando o risco de calotes, segundo análise publicada no Financial Times.
Os custos para companhias consideradas mais arriscadas chegaram a 17% neste mês, o maior patamar desde maio de 2020, impulsionados pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que atingiram máximas não vistas desde 2002. Essa valorização dos juros fez com que investidores demandassem maior remuneração para conceder empréstimos em segmentos com riscos superiores.
Empresas com notas de crédito abaixo de triplo C enfrentam um prêmio de risco que subiu para 12 pontos percentuais, o maior nível desde 2022, pressionando sobretudo aquelas que possuem dívidas com taxa flutuante ou que precisam realizar refinanciamentos em curto prazo.
O cenário impactou o mercado de dívida corporativa, fazendo com que o Bank of America revisasse para baixo suas projeções de emissão de títulos com grau de investimento para este mês, de cerca de US$ 160 bilhões para US$ 110 bilhões.
Uma demonstração do ambiente difícil é vista na oferta da Paramount Skydance, que captou US$ 52 bilhões para adquirir a Warner Bros Discovery. A demanda pelos títulos de curtíssimo prazo foi o dobro da observada para papéis mais longos, um indicativo da preocupação dos investidores com o impacto da alta dos juros na dívida de maior prazo. Como consequência, os títulos de longo prazo tiveram forte queda no preço após sua emissão.
Em resposta, muitas empresas preferem optar por dívidas de vencimentos mais curtos para manter a flexibilidade na renegociação futura em busca de condições mais favoráveis, evitando compromissos com custos elevados no momento atual.
O executivo Marcos Gabriel, diretor financeiro da fabricante McCormick, comentou que a companhia está revisando minuciosamente estratégias relacionadas à moeda, prazos e tipos de taxas de suas emissões de dívida devido ao novo cenário financeiro.
Apesar da pressão, um segmento corporativo ligado a investimentos em inteligência artificial tem mantido suas emissões, justificando o custo elevado pela urgência em desenvolvimento de centros de dados.
Analistas alertam que uma persistência dos juros elevados nos próximos anos pode causar um choque para o mercado de dívida corporativa, especialmente quando grandes volumes de dívidas assumidas na era dos juros baixos chegarem ao vencimento. Isso pode levar a adiamentos de investimentos e expansão, acentuando os riscos de crédito.
O Federal Reserve projeta mais aumentos nas taxas básicas, o que poderá intensificar esses efeitos se a rentabilidade das empresas não acompanhar os custos de financiamento, situação que preocupa especialistas do setor financeiro.
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