Democratas tomam as duas Casas do Congresso dos EUA em vitória histórica
Partido passa a ter poder sobre orçamento, investigações e nomeações na segunda metade do mandato de Trump.
Nas eleições de meio de mandato realizadas em 3 de novembro de 2026, os democratas obtiveram uma vitória histórica que lhes conferiu maioria confortável tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado dos Estados Unidos. Com cerca de 59,6 milhões de votos, o partido conquistou 54,98% do total na votação para a Câmara, superando os republicanos que tiveram 43,56%. Este resultado representa a primeira vez em 20 anos que um presidente republicano perde o controle das duas Casas do Congresso numa eleição de meio de mandato.
Além disso, o Partido Democrata assumiu o governo da maioria dos estados americanos pela primeira vez em 16 anos, governando nove dos 10 estados mais populosos do país, com exceção da Flórida, que permaneceu sob domínio republicano.
A nova configuração do Congresso traz desafios e oportunidades para o Partido Democrata. Segundo análise da Folha, os democratas conseguiram uma maioria significativa no Senado, com pelo menos 54 assentos, número notável dada a estrutura que historicamente favorece os republicanos. Essa maioria lhes confere amplos poderes para dificultar a agenda do presidente Donald Trump, que está em seu segundo mandato.
Os líderes democratas Chuck Schumer no Senado e Hakeem Jeffries, que deve se tornar o primeiro homem negro presidente da Câmara em 3 de janeiro de 2027, comandarão a oposição. Apesar da maioria, o filibuster — uma tática que permite à minoria republicana obstruir votações — impõe limitações, exigindo 60 votos para muitas aprovações no Senado. Ainda assim, a proximidade do número de assentos democratas à marca de 60 indica potencial para aprovar propostas centristas, como o fim da guerra no Irã.
Outra ferramenta importante estará no poder de investigação dos comitês do Congresso, que poderão convocar membros do governo Trump e aliados para depor e quebrar sigilos, abrangendo a família do presidente e questões como negócios federais e casos relacionados. Essa capacidade pode aumentar a pressão sobre o governo, embora a condenação em um processo de impeachment exija dois terços do Senado, marca difícil para os democratas.
Além disso, com a maioria, o partido poderá vetar nomeações do presidente para inúmeros cargos federais que precisam de confirmação do Senado, incluindo ministros-chave e vagas na Suprema Corte. Caso haja alguma vacância na Corte nos próximos dois anos, os democratas podem influenciar ou até bloquear a indicação de substitutos, o que pode impactar decisões judiciais futuras.
A oposição também passa a controlar o orçamento federal, podendo obstruir o financiamento emergencial do governo, tornando o presidente Trump refém da nova maioria para as mais diversas decisões fiscais. Lideranças democratas, como Chuck Schumer, já sinalizaram intenção de usar essa vantagem para buscar o fim da guerra no Irã, contando inclusive com apoio de alguns republicanos moderados.
Esse panorama ressalta uma mudança significativa no equilíbrio de poder nos Estados Unidos, com uma oposição mais forte que poderá influenciar profundamente os rumos do país até o fim do mandato presidencial em 2028. A vitória democrata reflete também mudanças no perfil do eleitorado, com menor apoio entre jovens e hispânicos ao Partido Republicano em comparação a eleições anteriores.
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