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Crise no Ueno Bank bloqueia dinheiro de brasileiros que vivem no Paraguai

Crise bancária no Paraguai bloqueia economias de brasileiros que vivem no país, afetando pagamentos e negócios locais.

Renata tem uma lanchonete no Paraguai
Renata tem uma lanchonete no Paraguai — Foto: Acervo pessoal

Uma crise no Ueno Bank, um dos principais bancos do Paraguai, bloqueou o acesso às contas de milhões de clientes, entre eles brasileiros que moram no país. A intervenção do Banco Central do Paraguai ocorreu após o índice de solvência do Ueno cair para menos da metade do exigido, levando também à renúncia do presidente Santiago Peña.

O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes, equivalentes a 60% da população adulta do Paraguai. Entre eles, estavam brasileiros atraídos pela facilidade de abrir contas para estudar ou abrir negócios.

A brasileira Renata de Brito, que administra uma lanchonete em Hernandarias, próxima à fronteira com o Brasil, teve suas economias e pagamentos de clientes bloqueados com o fim do acesso ao banco.

Leia também: Brasileiros no Paraguai têm prejuízo de R$ 200 mil com falência do Ueno Bank

Ela destaca que o Ueno Bank era conhecido pela facilidade e ampla divulgação, o que atraía brasileiros e imigrantes. Preocupada, Renata teme não conseguir pagar a parcela de um apartamento até o fim do mês devido ao bloqueio do dinheiro.

O economista Alexandre Barros da Costa, da Unila e UFPR, alerta que a crise pode impactar dezenas de milhares de brasileiros residentes no Paraguai, provocando dificuldades no pagamento de aluguel, mensalidades e alimentação.

A empresária Erika Silva, também brasileira, mantém um valor reduzido no banco para gastos pontuais, que ficou bloqueado. Apesar disso, ela mantém a intenção de se mudar definitivamente para o Paraguai, motivada por questões econômicas e políticas.

O Fundo de Garantia de Depósitos no Paraguai cobre até cerca de R$ 211 mil por pessoa. O Banco Central garante o ressarcimento dentro desse limite, mas ainda avalia a cobertura dos valores acima.

A crise do Ueno Bank causa choque imediato na economia, afetando o consumo das famílias e o funcionamento de pequenos comerciantes que dependem da massa salarial disponível.

Além disso, o episódio evidencia riscos na utilização de recursos públicos administrados pelos bancos, incluindo os da previdência social. A situação do Ueno é comparada à crise do banco Master no Brasil, com impacto social mais grave no Paraguai, embora a economia do país deva permanecer estável no médio prazo.

Com a instabilidade, as agências bancárias no Paraguai enfrentam filas, enquanto clientes buscam abrir novas contas para retomar acesso ao sistema financeiro.

Renata espera que ocorra uma rápida mobilização para a devolução dos valores bloqueados, mas permanece incerta se a renúncia do presidente paraguaio influenciará positivamente na solução.

O caso marca o governo de Santiago Peña, que negou envolvimento direto com o banco após ser acionista da holding que reúne o Ueno Bank. Sua nomeação do ex-presidente do Ueno para o Banco Central gerou críticas por conflito de interesses.

Tags: Brasileiros no ExteriorEconomiaParaguaiUeno Bankcrise bancária

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