Leão XIV inicia viagem ao Uruguai, Argentina e Peru com foco em renovar fé católica
Pontífice visita Uruguai, Argentina e Peru em meio a redução da adesão católica na região, apesar da fé em Deus permanecer forte.
O papa Leão XIV iniciou nesta sexta-feira (6) sua primeira viagem à América Latina, um roteiro de 11 dias por Uruguai, Argentina e Peru. Com 71 anos, o pontífice fará cerca de 31 mil quilômetros entre os três países, celebrando missas ao ar livre, participando de encontros com jovens e visitando comunidades afastadas.
Essa visita acontece em um momento em que a América Latina continua concentrando o maior número de católicos do mundo, mas também enfrenta uma redução na identificação com a Igreja Católica. Apesar disso, a crença em Deus se mantém forte na região.
Segundo a pesquisadora Kirsten Lesage, do Pew Research Center, houve queda na adesão ao catolicismo em todos os países da região pesquisados em 2024. Essa perda de fiéis ocorre principalmente para religiões evangélicas, em especial o pentecostalismo, e para outras formas de espiritualidade não institucionalizadas.
É observada uma mudança geracional significativa: adultos com 50 anos ou mais mantêm maior identificação católica do que os jovens entre 18 e 34 anos. Muitos jovens buscam experiências espirituais personalizadas, combinando elementos do cristianismo com práticas de outras tradições religiosas e momentos de silêncio e retiros.
O padre Jorge Reinaudo, da Argentina, relata que a visita do papa já provoca maior interesse pelas missas e sacramentos no Uruguai, onde o catolicismo é visto como mais secular. Essa reação positiva sugere que a presença do pontífice pode reforçar o sentimento de pertencimento e fé na Igreja entre os fiéis.
A rápida expansão das igrejas evangélicas pentecostais nas cidades latino-americanas tem sido intensa, especialmente no Brasil, onde 27% da população já se identifica como evangélica. Essas igrejas apostam no testemunho pessoal e na experiência direta, contrastando com a Igreja Católica que frequentemente foca no trabalho social nos bairros.
O professor Miguel Pastorino, da Universidade Católica do Uruguai, destaca que as transformações sociais recentes, como avanços em direitos relacionados ao aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo, não são causas diretas da redução do catolicismo, mas refletem mudanças mais amplas nas relações entre as pessoas e as instituições religiosas.
Assim, o principal desafio para a Igreja Católica no continente é adaptar-se a uma religiosidade mais individualizada e menos atrelada a instituições tradicionais, conciliando a fé com as novas formas de vivenciar a espiritualidade.
Veja também
Crise no Paraguai: fraude no banco Ueno trava acesso de 3 milhões a dinheiro
Em Internacional
Julgamento de impeachment retoma com defesa de Santiago Peña no Senado do Paraguai
Em Internacional
Crise leva vice Pedro Alliana a assumir governo paraguaio
Em Internacional
Crise no Ueno Bank bloqueia dinheiro de brasileiros que vivem no Paraguai
Em Internacional
Brasileiros no Paraguai têm prejuízo de R$ 200 mil com falência do Ueno Bank
Em Internacional


Comentários
Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.