Especialistas alertam: aparência facial não diagnostica falta de ferro
Vídeos nas redes sociais associam sinais no rosto à falta de ferro, mas médicos reforçam que exame de sangue é essencial para diagnóstico.
Em meio ao crescimento de vídeos nas redes sociais que associam características no rosto a baixos níveis de ferro no organismo, médicos especialistas reforçam que não é possível diagnosticar a deficiência de ferro apenas pela aparência. Chamado popularmente de "cara de ferritina", esse conceito aponta para sinais como palidez, olheiras, lábios ressecados e unhas frágeis, mas os especialistas alertam que apenas exames laboratoriais podem confirmar a condição.
O que é ferritina e como afeta o corpo
A ferritina é a proteína responsável por armazenar ferro no organismo. O ferro é essencial para a produção de hemoglobina, a proteína nos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio pelo corpo. Quando os níveis de hemoglobina estão baixos, ocorre a anemia, que compromete a oxigenação dos tecidos. Cerca de metade dos casos de anemia tem a deficiência de ferro como causa.
No entanto, as reservas de ferro podem diminuir antes que a anemia apareça. "Você já não tem reservas de ferro, mas seus níveis de hemoglobina continuam normais. Essa é a grande diferença", explica o hematologista Drew Provan. Por isso, alguns sintomas podem surgir mesmo sem presença de anemia.
Sintomas e sinais na aparência
Entre os sinais apontados nas redes sociais estão olheiras, pele pálida ou acinzentada, lábios rachados, queda de cabelo e unhas frágeis. Embora esses sintomas possam indicar baixos níveis de ferro, a médica de família Aziza Sesay destaca que essas características também podem ter outras causas de origem diversa.
Além disso, Sesay observa que alterações na cor da pele podem ser menos perceptíveis em pessoas de pele mais escura, o que dificulta identificar a deficiência de ferro apenas pela aparência. O hematologista Drew Provan considera esses sinais "subjetivos e pouco confiáveis" para diagnóstico.
Causas e consequências da deficiência de ferro
Segundo o Ministério da Saúde brasileiro, a deficiência de ferro acontece quando o organismo perde mais ferro do que absorve. As causas podem incluir gestação, menstruação intensa, crescimento acelerado, alimentação pobre em ferro, sangramentos, doenças e dificuldades na absorção do mineral.
A falta de ferro pode prejudicar o desenvolvimento fetal, aumentar riscos durante a gravidez e afetar o crescimento e desenvolvimento de crianças. É a deficiência nutricional mais comum atualmente, afetando cerca de 1 em cada 3 pessoas, principalmente mulheres em idade reprodutiva e crianças.
Importância do diagnóstico e tratamento adequados
Especialistas reforçam que o diagnóstico deve ser feito por meio de exames de sangue para confirmar a deficiência e identificar sua causa, permitindo tratamento direcionado. Os suplementos de ferro são o tratamento mais comum e devem ser tomados conforme orientação médica, preferencialmente em jejum e sem consumir chá ou café próximos da medicação para evitar interferências na absorção.
Também é possível aumentar a ingestão de ferro com alimentos como carnes, feijão, lentilha, folhas verde-escuras e cereais enriquecidos. A absorção do ferro é favorecida pela vitamina C, presente em sucos de laranja, e prejudicada por bebidas como café, que contêm polifenóis.
Rede social como aliada com cautela
A influenciadora Lucy M., que compartilha sua experiência sobre queda de cabelo e deficiência de ferro, destaca que as redes sociais ajudaram muitas mulheres a levar seus sintomas mais a sério e buscar esclarecimentos médicos. Ela ressalta, porém, que suas informações não substituem avaliação profissional.
Para a médica Aziza Sesay, as redes sociais são uma "faca de dois gumes": podem motivar as pessoas a procurar ajuda, mas também gerar autodiagnósticos incorretos baseados em vídeos curtos e sem contexto clínico.
O mais importante é reconhecer quando há algum sintoma e buscar ajuda médica para avaliação adequada, evitando a automedicação e seu potencial prejuízo à saúde.
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