Menina negra em escola de BH recebe ataques racistas pós-eleições
Mensagens com agressões e preconceitos foram enviadas a bolsista após manifestação política; polícia investiga o caso em Minas Gerais.
Uma estudante negra de 13 anos, bolsista em uma escola particular de Belo Horizonte, sofreu uma série de ofensas racistas, sexuais e religiosas após publicar opinião favorável à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 25 de outubro.
Depois de seu posicionamento, ela passou a receber mensagens por texto e áudio, vindas de colegas da escola e de outros adolescentes, contendo ataques racistas, críticas à religião de matriz africana da família, humilhação por condição social e ameaças de teor sexual. Os áudios, acessados pela BBC News Brasil, incluem ofensas contra a menina e também contra seus familiares.
Uma das mensagens dizia: "Filha de Exu, elite do Candomblé, o Zé Pilintra é seu pai", enquanto outra ressaltava valor da casa do agressor em contraste com a condição da família da estudante.
A família da jovem registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil de Minas Gerais, qualificando as mensagens como injúria eletrônica com causa presumida de racismo. O Departamento Estadual de Investigação, Orientação e Proteção à Família (Defam) está apurando o caso, segundo as autoridades.
A mãe da estudante afirmou que episódios anteriores de agressão verbal na escola foram tratados de forma passiva, e que desta vez decidiu buscar a Justiça para garantir respeito e responsabilização. O advogado da família ressalta que a medida é importante não só juridicamente, mas também para proteger a saúde emocional da menina e enfrentar o racismo.
A escola, que teve seu nome preservado para proteger os envolvidos menores, disse não compactuar com nenhuma forma de racismo ou discriminação e afirmou que toma medidas internas para investigar e lidar com o ocorrido, garantindo um ambiente seguro e respeitoso.
Casos semelhantes e reação institucional
Este episódio em Belo Horizonte reflete outras denúncias pós-eleitorais envolvendo violência política e assédio em escolas de várias regiões, como Distrito Federal e Rio de Janeiro, além de perseguições a professores e funcionários.
O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) registrou diversas denúncias de intimidação ideológica contra docentes do setor privado, apontando para um clima de assédio e violência psicológica que também tem sido denunciado ao Ministério Público do Trabalho e à Justiça do Trabalho.
Orientações para casos de violência política na escola
Especialistas ressaltam que os ataques recentes contra estudantes configuram violência política, distinta do bullying contínuo. Recomenda-se que as famílias documentem os casos e registrem boletins de ocorrência, sobretudo quando há indícios de racismo ou intolerância religiosa, o que é ilegal.
Quanto às escolas, afirma-se a importância de abordagens pedagógicas que promovam o diálogo e a reparação dos danos, evitando a simples expulsão dos envolvidos, para impedir que comportamentos violentos se repitam em outros ambientes.
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