Dores nas articulações na menopausa podem indicar reumatismo
Especialistas alertam que dores persistentes, inchaço e rigidez nas articulações na menopausa podem indicar doenças reumatológicas e merecem investigação.
A transição para a menopausa é marcada por diversas alterações no organismo feminino, entre elas, as dores nas articulações, músculos e tendões, frequentemente associadas à queda dos níveis de estrogênio. Porém, especialistas consultados pelo g1 ressaltam que nem toda dor nessa fase está relacionada diretamente às alterações hormonais.
Segundo o reumatologista Valderílio Feijó Azevedo, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), sintomas como inchaço nas articulações, rigidez prolongada matinal, fraqueza muscular significativa e dor persistente devem ser avaliados por um especialista, pois podem indicar condições reumatológicas que se manifestam ou se agravam na menopausa, como artrite reumatoide, artrose, fibromialgia e polimialgia reumática.
Sinais de alerta para doenças reumatológicas
De acordo com Azevedo, esses sinais incluem:
- Inchaço, calor ou vermelhidão nas articulações, apontando para um processo inflamatório;
- Rigidez que dura mais de 30 a 60 minutos após acordar;
- Dor intensa que interrompe o sono e não melhora com repouso;
- Fraqueza muscular significativa, dificultando tarefas como subir escadas ou levantar os braços;
- Sintomas sistêmicos como febre, perda de peso, cansaço excessivo e alterações na pele ou mucosas;
- Exames que revelam marcadores inflamatórios elevados ou autoanticorpos;
- Fraturas ocasionais ou perda de altura, sugerindo comprometimento ósseo.
Embora a presença desses sintomas não confirme necessariamente uma doença reumatológica, indicam a necessidade de investigação detalhada para diagnóstico preciso e tratamento adequado.
Entendendo a síndrome musculoesquelética da menopausa
Em 2024, pesquisadores propuseram o termo "síndrome musculoesquelética da menopausa" para descrever um conjunto de manifestações associadas à queda do estrogênio que afetam o sistema locomotor. Essas alterações envolvem perda de massa óssea e muscular, dores articulares e tendinites, entre outras.
O ginecologista Marcelo Luis Steiner, da Comissão Nacional Especializada em Osteoporose da Febrasgo, destaca que a perda hormonal desencadeia processos inflamatórios de baixo grau e mudanças na composição e resistência de tendões e ligamentos, prejudicando a mobilidade e a força das mulheres nessa fase.
Diferenciação das doenças reumatológicas mais comuns na menopausa
Para esclarecer o diagnóstico, especialistas destacam características específicas de algumas doenças:
- Artrite reumatoide: inflamação e inchaço nas pequenas articulações, rigidez matinal prolongada e alterações em exames laboratoriais específicos.
- Artrose: dor que piora com o uso das articulações, rigidez matinal breve e alterações degenerativas nos ossos e articulações.
- Fibromialgia: dor generalizada com fadiga, sono não restaurador e aumento da sensibilidade, com exames laboratoriais geralmente normais.
- Polimialgia reumática: dor intensa e rigidez nos ombros e quadris, especialmente em mulheres acima de 50 anos, associada a elevação marcante dos marcadores inflamatórios.
Importância do diagnóstico e tratamento adequado
O diagnóstico é feito principalmente pela avaliação clínica, que inclui histórico da paciente, exame físico e exclusão de outras causas. Testes laboratoriais e exames de imagem podem auxiliar a delimitar o diagnóstico. A densitometria óssea é recomendada para avaliar a perda de massa óssea e o risco de osteoporose.
Sedentarismo, excesso de peso e distúrbios do sono são fatores que agravam os sintomas musculoesqueléticos na menopausa. Praticar exercícios físicos, manter uma alimentação equilibrada e cuidar da qualidade do sono são estratégias importantes para minimizar as dores e preservar a força muscular.
Os tratamentos podem envolver programas de treinamento progressivo de força, medidas para melhorar a saúde óssea, uso criterioso de medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios e, em casos selecionados, terapia hormonal, a qual deve ser discutida individualmente levando em conta os sintomas e riscos.
Quando buscar ajuda médica
Segundo os especialistas, dores musculares e articulares que persistem, alteram a rotina ou vêm acompanhadas dos sinais destacados devem motivar a procura por um reumatologista. Um diagnóstico precoce e preciso possibilita iniciar um tratamento adequado e preservar a qualidade de vida da mulher durante e após a menopausa.
Veja também
Jogador do Tenerife morre após choque no peito que causou parada cardíaca
Em Saúde
Corredora de 24 anos morre de rabdomiólise após maratona em Nova York
Em Saúde
Criança morre de sarampo em Nova York, primeiro caso fatal em 30 anos
Em Saúde
Resiliência ajuda idosos a lidar com desafios da velhice
Em Saúde
FDA aprova genérico de lenacapavir para prevenção do HIV
Em Internacional
Comentários
Entre na sua conta e seja o primeiro a comentar esta matéria.