Criança morre de sarampo em Nova York, primeiro caso fatal em 30 anos
Primeira morte por sarampo em Nova York desde 1996 ocorre em meio a surto e queda na vacinação nos EUA.
Uma criança morreu vítima de sarampo no Condado de Lewis, no norte do estado de Nova York, a primeira morte pela doença no estado em mais de 30 anos. Este caso faz parte do surto que motivou a declaração de emergência no estado devido à circulação do vírus, com 178 registros só em 2026, oito deles na cidade de Nova York.
O surto acompanha o quadro nacional: os Estados Unidos confirmam 4.852 casos de sarampo até agora neste ano, número que mais que dobrou em relação a 2025, quando foram registrados 2.289 casos. Além disso, 2026 testemunha a sexta morte por sarampo no país, embora apenas três dessas mortes tenham sido reconhecidas oficialmente pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), devido a controvérsias sobre a causalidade.
Especialistas alertam que a queda na taxa de imunização, que vem ocorrendo no país há pelo menos seis anos, coloca os Estados Unidos em risco de retorno ao cenário pré-vacinação. Para conter a disseminação do sarampo, é necessária uma cobertura vacinal acima de 95%, nível que garante a imunidade coletiva – que impede a propagação do vírus mesmo quando há casos importados.
Segundo dados do CDC, cerca de 1,7 milhão de crianças deixaram de se vacinar contra a doença nos últimos sete anos, número possivelmente subestimado devido à descentralização do sistema de saúde americano. O movimento antivacinação tem sido impulsionado por discursos de figuras públicas, como o ex-presidente Donald Trump e o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., que erroneamente relacionam a vacina tríplice viral (MMR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, ao autismo. Tais alegações já foram refutadas por diversas pesquisas científicas.
O acesso à vacina também é dificultado pelo sistema de saúde privado dos EUA, onde a vacinação não é gratuita para todas as crianças e adultos. Isso representa um desafio adicional para as autoridades de saúde pública no combate ao surto atual.
Como reação ao surto, o estado de Nova York declarou estado de emergência, visando ampliar as medidas de controle e incentivar a vacinação. Apesar das dificuldades, especialistas destacam que a única forma eficaz de evitar mais mortes e controlar a propagação do sarampo é aumentar a adesão à vacinação, especialmente da dose dupla da MMR recomendada entre 1 e 6 anos de idade nos Estados Unidos.
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