Água-viva imortal Turritopsis dohrnii inspira estudos sobre envelhecimento
Estudo da água-viva que reinicia seu ciclo de vida pode levar a tratamentos regenerativos contra doenças associadas ao envelhecimento.
A água-viva Turritopsis dohrnii, conhecida como a "água-viva imortal", tem chamado atenção de cientistas pelo seu ciclo de vida capaz de ser reiniciado, retornando a um estágio jovem diversas vezes ao longo de sua existência. Pesquisadoras e pesquisadores investigam os processos moleculares dessa espécie com o objetivo de aplicar esses conhecimentos em tratamentos de doenças relacionadas ao envelhecimento humano.
Quando submetida a situações de estresse, como cortes, exposição à água doce ou variações de salinidade, a Turritopsis dohrnii interrompe sua fase adulta e volta a um estado inicial chamado pólipo, que pode, então, originar novas medusas. Esse processo envolve a transformação das células adultas em células-tronco por meio de um fenômeno conhecido como transdiferenciação, permitindo que elas se especializem novamente conforme a necessidade biológica.
Os segredos desse mecanismo possuem potencial para revolucionar a biologia regenerativa, campo que busca reverter degenerações causadas pelo envelhecimento. O oncologista pediatra e físico Michael Koldobskiy, da Universidade Johns Hopkins, destaca que o objetivo não é transformar humanos adultos em bebês, mas sim rejuvenescer células e tecidos para acelerar a cura de feridas, tratar lesões causadas por AVC ou ataques cardíacos, e até mesmo combater danos relacionados a doenças neurodegenerativas como Alzheimer.
Pesquisas recentes, como um estudo realizado em 2022, mostram que o DNA da Turritopsis dohrnii possui maior quantidade de cópias de genes envolvidos no reparo de mutações e na manutenção dos telômeros, estruturas que protegem o material genético. Telômeros normalmente encurtam com o envelhecimento, tornando o DNA vulnerável a danos, mas a água-viva imortal parece manter esses telômeros com maior eficiência, o que pode explicar sua longevidade.
A bióloga marinha Maria Miglietta, da Universidade A&M do Texas, tem dedicado estudos para identificar quais genes são ativados durante o processo de reversão celular da água-viva, especialmente no estágio de quisto, em que as células perdem sua especialização para se reprogramar e formar novos pólipos. Ela observou que alguns genes relacionados à longevidade em humanos são superativados nesse estágio da água-viva, sugerindo a existência de mecanismos comuns entre as espécies.
Entretanto, embora a Turritopsis dohrnii demonstre uma capacidade aparentemente ilimitada de rejuvenescimento, ela ainda enfrenta vulnerabilidades no ambiente natural, como predadores e condições específicas do habitat, que podem levar à sua morte. Isso reforça que, apesar da imortalidade biológica vista em laboratório, a vida e a morte permanecem interligadas na natureza.
Assim, o estudo dessa água-viva não apenas expande os limites do conhecimento científico sobre envelhecimento e regeneração, como também oferece esperança para o desenvolvimento de terapias que possam melhorar a saúde humana e tratar doenças associadas à idade.
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