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BRB pressiona compra rápida de carteiras do Master

Relatório da PF aponta que Paulo Henrique Costa exigia agilidade na análise e liquidação de operações, mesmo com indícios de irregularidades.

A Polícia Federal indicia Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), por pressionar funcionários para acelerar a análise e liquidação de operações envolvendo compra de carteiras de crédito do Banco Master, mesmo depois de receber alertas sobre irregularidades nas carteiras apresentadas.

O relatório parcial da investigação revela que Paulo Henrique Costa cobrou rapidez e definiu prioridades nas negociações, que somavam cerca de R$ 1 bilhão entre dezembro de 2024 e o início das operações. Em mensagens internas, ele destacou a necessidade de analisar rapidamente uma carteira de R$ 71 milhões, apesar dos indícios de inconsistências como margem incompatível, inadimplência alta e falhas nos documentos apresentados.

Presença de alertas e pressão institucional

O documento da Polícia Federal ressalta que integrantes da direção do BRB já tinham conhecimento dos problemas nas carteiras do Banco Master, incluindo índices de inadimplência entre 15% e 28%. Embora a diretoria do BRB tivesse competência limitada para decisões acima de R$ 750 milhões, o indiciamento menciona que as operações foram fracionadas para evitar o aval do Conselho de Administração, somando um total de R$ 17,5 bilhões em transações.

Leia também: BRB alerta sobre falhas em 90% da carteira Master em 2024

Além disso, das 14 notas executivas, 13 foram aprovadas antes da conclusão dos pareceres técnicos, contrariando normas internas de governança.

Defesas dos indiciados

As defesas de Paulo Henrique Costa e de Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e também indiciado no caso, contestam as acusações e destacam que o indiciamento foi antecipado, sem análise completa dos exames periciais e das provas. Declararam que não existe comprovação de prejuízo ao banco e que as operações geraram até então resultados positivos.

Paulo Henrique Costa, por meio de sua defesa, afirma que não tinha conhecimento das fraudes e que exigiu garantias bilionárias e a substituição dos ativos considerados irregulares, além de ter comunicado o Banco Central sobre os fatos. A defesa solicita a revogação da prisão preventiva do ex-presidente, alegando ausência de fundamentação jurídica para sua manutenção.

Outro indiciado, Augusto Lima, também negou envolvimento nas supostas fraudes e reforçou a presunção de inocência.

Contexto da investigação

A apuração da Polícia Federal segue em andamento, com perícias e oitivas ainda não concluídas, conforme indicado no relatório. O inquérito está registrado no Supremo Tribunal Federal, que determinou prazo para continuidade das investigações.

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