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Tecban lança agências multimarcas para diversificar receita

Com a redução no uso de dinheiro, Tecban amplia atuação com agências multimarcas e análise de dados de usuários de dinheiro físico.

O CEO da TecBan, Patricio Santelices, em entrevista ao C-Level - Reprodução TVFolha
O CEO da TecBan, Patricio Santelices, em entrevista ao C-Level - Reprodução TVFolha

A Tecban, empresa responsável pela maior rede de caixas eletrônicos do Brasil, o Banco24Horas, busca expandir seus negócios diante da redução no uso do dinheiro físico, segundo declarações do CEO Patricio Santelices ao C-Level Entrevista, da Folha. A companhia pretende diversificar suas receitas por meio da gestão da infraestrutura física dos bancos, implantação de "agências multimarcas" e análise de dados do público que ainda utiliza dinheiro em espécie.

A queda no número de terminais de autoatendimento no país, que passou de 120 mil há três anos para 100 mil atualmente e deve chegar a 70 mil em cinco anos, leva os bancos a transferirem a gestão de suas redes para empresas especializadas como a Tecban, que administra cerca de 30 mil desses terminais.

Em caráter inovador, a Tecban lançou em setembro um projeto-piloto de "agências multimarcas" chamadas Espaço Banco24Horas, onde bancos concentrarão operações em locais únicos com atendimento presencial ao longo do dia. Além do saque, esses centros oferecerão diversos serviços a clientes dos mais de 150 bancos e instituições de pagamento conectados à rede.

Patricio Santelices destaca que, apesar do avanço do digital, o atendimento presencial tende a se fortalecer, especialmente em municípios do interior onde o uso do dinheiro físico permanece relevante. Atualmente, a Tecban atua em mais de 2 mil cidades, reforçando sua capilaridade.

O modelo de gestão dos caixas eletrônicos adotado por bancos como o Banrisul, que terceirizou totalmente sua rede nas regiões interiores, demonstra a tendência à interoperabilidade entre as redes bancárias. Conforme o CEO da Tecban, essa integração pode gerar uma economia de quase R$ 1 bilhão no sistema financeiro.

Embora a rede Banco24Horas ainda represente 80% da receita da Tecban, a empresa pretende que em até quatro anos 40% de seu faturamento venha de novos negócios que não envolvam os caixas eletrônicos tradicionais. Até o final deste ano, a expectativa é alcançar 20% da receita proveniente dessas frentes diversificadas.

Um dos novos focos é o uso de inteligência artificial para analisar dados de mais de 30 milhões de brasileiros que utilizam dinheiro em espécie mensalmente. Esta pesquisa permitirá entender padrões de consumo e distribuição de saques, informações que podem interessar tanto ao comércio quanto a políticas públicas.

Além disso, a Tecban oferece serviços de administração de pontos de venda para varejistas, com soluções de biometria e ofertas personalizadas. Em relação à segurança, o executivo afirmou que fraudes nos caixas eletrônicos representam menos de 1% das transações e que ataques violentos vêm declinando há anos.

Sobre o futuro do dinheiro em espécie, Santelices reforça que ele não desaparecerá, ressaltando a importância do equilíbrio entre meios digitais e físicos, principalmente em situações de emergência, como desastres naturais que comprometam a infraestrutura digital. Atualmente, cerca de 6% das transações financeiras no Brasil ainda são realizadas em dinheiro, com previsão de estabilização em torno de 2% nos próximos cinco anos, percentual similar ao observado em países altamente digitalizados da Europa.

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