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Rob Citrone amplia investimentos no Brasil após queda da Bolsa

Rob Citrone, gestor do fundo Discovery, vê exagero no recuo da Bolsa e aposta em recuperação após eleições.

Economia/Mercado
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Em meio à queda de quase 14% da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (26), logo após as eleições, o gestor americano Rob Citrone, fundador do fundo multimercado Discovery, decidiu ampliar seus investimentos em empresas brasileiras. Reconhecido por sua atuação de longo prazo em mercados emergentes, Citrone vê o recuo do mercado como um exagero e aposta em uma recuperação em curto prazo.

Em entrevista à Folha, Citrone afirmou que aproveitou a desvalorização para aumentar sua exposição no Brasil, mas mantém cautela quanto a uma ampliação estratégica mais significativa até que haja maior clareza sobre as ações do novo governo.

"Vemos uma recuperação no mercado depois do excesso de vendas. Então, aproveitamos isso e aumentamos um pouco a exposição. Mas não estamos ampliando nossa exposição estratégica até vermos o que o governo fará", declarou.

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Ele citou como referência para um patamar próximo do valor justo o Ibovespa em 185 mil pontos e o dólar a R$ 5,25, níveis que indicariam recuperação diante dos resultados eleitorais e da atual incerteza econômica. À época do fechamento, o Ibovespa marcava 176.608 pontos, enquanto o dólar operava em R$ 5,409.

A postura sobre o governo Lula e implicações econômicas

Citrone avaliou como surpresa a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, considerando que até pouco antes das eleições as pesquisas indicavam vantagem para seu adversário, Flávio Bolsonaro. O gestor mencionou que sua exposição ao real e a ações no Brasil era parcial, por acreditar inicialmente na vitória do candidato opositor.

A possibilidade de elevar os investimentos no país dependerá do desempenho do governo em implementar medidas econômicas sólidas. Segundo ele, uma nomeação para os ministérios da Fazenda e da Casa Civil que inspire confiança no mercado pode reduzir a necessidade de um ajuste fiscal mais drástico, beneficiando a valorização da moeda, a queda do prêmio de risco, a redução dos juros, e consequentemente, promovendo crescimento econômico e geração de empregos.

Entre os nomes cotados para integrar a equipe econômica, Citrone destacou positivamente Rafael Fonteles, governador do Piauí, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, apontados como perfis que podem contribuir com credibilidade.

Perspectivas para a política monetária e relações internacionais

Sobre a política monetária brasileira, o gestor acredita que o Banco Central deve aguardar as definições do governo antes de dar seguimento ao ciclo de cortes na taxa Selic. A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em setembro registrou a quinta redução seguida, de 14% para 13,75% ao ano, mas o Banco Central se mostra cauteloso diante da inflação.

No âmbito internacional, Citrone prevê mais um aumento da taxa de juros nos Estados Unidos em dezembro, o que poderia levar a Selic americana para a faixa de 4% a 4,25% ao ano, fortalecendo o dólar. Ele mencionou ainda um cenário possível de reconciliação diplomática entre Brasil e Estados Unidos, destacando a plausibilidade de um bom relacionamento futuro entre Lula e Trump.

Sobre o fundo Discovery Capital Management

Fundado em 1999, o fundo multimercado Discovery, comandado por Rob Citrone, gere atualmente US$ 4,8 bilhões, com investimentos diversificados em mercados desenvolvidos e emergentes. A estratégia do fundo envolve posições em ações, títulos soberanos, moedas, juros e commodities, apresentando valorização acumulada de 27,5% desde sua fundação.

Tags: Discovery Capital ManagementMercados emergentesRob Citronebolsa brasileirainvestimentos

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