Fintech cancela conta de advogado após suspeita de lavagem
A55 Sociedade de Crédito bloqueou conta de Willer Tomaz após detectar movimentações atípicas e comunicar o caso ao Coaf.
A fintech A55 Sociedade de Crédito Direto cancelou uma conta vinculada ao advogado Willer Tomaz de Souza, conhecido por sua proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL), após identificar irregularidades em movimentações financeiras, de acordo com apuração da Folha.
Segundo as informações obtidas, a A55 bloqueou ainda o CPF de Tomaz para novas operações e reportou o caso ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão responsável por fiscalizar possíveis práticas de lavagem de dinheiro. A área de compliance da instituição detectou transações atípicas, que podem configurar lavagem de dinheiro, sobretudo pelo uso da conta para enviar recursos ao site de apostas Blaze.
Conforme detalhado pela empresa, essas ações seguem as diretrizes da legislação que previne lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo, adotando procedimentos para monitorar operações suspeitas, conhecidas como "red flags".
Criada em 2022 e sediada em São Paulo, a A55 conta com capital social de R$ 3,1 milhões e é administrada pelos sócios André Wetter e Hugo Mathecowitsch. Em julho, o Banco Central manifestou intenção de cancelar a autorização para funcionamento da fintech, citando irregularidades relacionadas à presença física da empresa e desacordo com o plano de negócios.
O processo permanece sob sigilo, conforme informado pela assessoria do órgão regulador. A reportagem também buscou posicionamento da defesa do advogado Willer Tomaz, que não se manifestou sobre o cancelamento da conta.
Paralelamente, Tomaz é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, um inquérito que envolve Flávio Bolsonaro. Dados do Ministério da Fazenda indicam que em 2025 o advogado foi o maior apostador no país pelo site Blaze, movimentando R$ 5 bilhões, e que a plataforma não cumpriu integralmente as obrigações de fiscalização exigidas para operar no Brasil.
Documentos revisados pela Folha apontam que em 2026 Tomaz realizou apostas adicionais de R$ 1,3 bilhão, consolidando o site Blaze como principal destino de suas transações nesse período. Investigações avançam sobre a possibilidade de ocultação da origem ilícita desses recursos.
À época, a assessoria de Tomaz afirmou que o assunto está sendo tratado judicialmente, que os recursos têm origem lícita e são compatíveis com seus rendimentos declarados à Receita Federal, além de questionar a divulgação de dados sigilosos em período eleitoral.
Já a assessoria de Flávio Bolsonaro informou que o senador não é investigado no Supremo Tribunal Federal e que não houve instauração formal de inquérito, aguardando manifestação da Procuradoria-Geral da República ou decisão judicial.

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