Mercado de ETFs no Brasil cresce 172% e ganha adesão de investidores de renda fixa
Fundos de índice atraem cada vez mais investidores brasileiros, com destaque para os ETFs de renda fixa que superaram temporariamente os de ações.
O mercado brasileiro de ETFs (fundos de índice negociados na bolsa) vem apresentando crescimento expressivo, com o patrimônio dos fundos saltando de R$ 50,3 bilhões em janeiro de 2025 para R$ 136,7 bilhões em agosto de 2026, conforme dados da Anbima. Esse avanço representa uma alta de 172% em pouco mais de um ano e meio, refletindo o interesse crescente dos investidores, especialmente nos produtos de renda fixa.
Durante o período analisado, os ETFs de renda fixa expandiram significativamente, passando de R$ 9,2 bilhões para R$ 68 bilhões e, em agosto de 2026, chegaram a superar temporariamente os ETFs de renda variável, que voltaram à liderança com R$ 68,7 bilhões investidos em setembro. Essa dinâmica sinaliza uma migração no comportamento dos investidores em meio a um cenário de juros ainda elevados no país.
Características que impulsionam o crescimento
Especialistas apontam uma combinação de fatores que explicam a expansão dos ETFs no Brasil, como menores custos em comparação com fundos tradicionais, facilidade de acesso, diversificação e, no caso dos ETFs de renda fixa, benefícios tributários. Danilo Jusan, reitor do Ibmec-RJ, destaca que os custos reduzidos dos ETFs e a transparência na composição das carteiras são atrativos fundamentais para o investidor.
Leia também: Prêmio de R$ 171 milhões da Mega-Sena pode gerar até R$ 1,8 milhão mensais em renda fixa
Cauê Mançanares, CEO da Investo, gestora independente especializada em ETFs, ressalta ainda que o acesso deixou de ser restrito a grandes investidores institucionais e hoje inclui pessoas físicas com aportes menores, que utilizam ETFs para montar e diversificar suas carteiras de investimento.
Benefícios tributários nos ETFs de renda fixa
A eficiência tributária dos ETFs também contribui para sua popularidade. Nos ETFs de renda fixa, o Imposto de Renda é cobrado de acordo com o prazo médio da carteira, variando de 15% a 25%, e não existe cobrança de come-cotas ou IOF, diferentemente dos fundos tradicionais. Já para os ETFs de renda variável, recruta-se 15% do ganho líquido na venda das cotas, com alíquota maior para operações de day trade.
Com a taxa Selic em 13,75% ao ano, a demanda por produtos de renda fixa tem aumentado e impulsionado o ritmo dos ETFs desse segmento. Além disso, a base de investidores vem crescendo: a Anbima registrou aumento de 74% no número de contas com investimentos em ETFs entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, passando de 1,04 milhão para 1,81 milhão.
ETFs ainda representam parcela pequena do mercado
Apesar do rápido crescimento, o patrimônio dos ETFs representa pouco mais de 1% dos R$ 11,53 trilhões da indústria de fundos no Brasil. Em comparação, os Estados Unidos contam com mais de 5,5 mil ETFs somando US$ 15,74 trilhões em ativos, segundo a firm ETFGI. No Brasil, eram 225 produtos listados em setembro de 2026, um aumento de 95% desde janeiro de 2025.
Para Danilo Jusan, a diferença entre os mercados está relacionada à cultura local de investimento, ainda muito centrada em renda fixa e fundos tradicionais. A expectativa é que a eventual queda dos juros favoreça ainda mais a diversificação via ETFs.
Modelos de gestão e desafios locais
Os ETFs no Brasil, em geral, são fundos passivos que replicam índices predefinidos, diferentemente dos fundos de gestão ativa. Embora a CVM esteja planejando regulamentar ETFs ativos, com consultas públicas previstas para 2026, esse tipo de produto já começa a surgir no mercado, como o lançamento do JTEK39 pela J.P. Morgan Asset Management.
Cauê Mançanares destaca que a maior barreira para a popularização dos ETFs ainda é o baixo conhecimento do investidor. A preferência por produtos bancários próprios e a forte cultura do CDI também contribuem para a menor penetração dos ETFs no Brasil até o momento.
📰 Veja também
Daniel Vorcaro e os R$ 14,3 bi em direitos creditórios
Daniel Vorcaro possui R$ 14,3 bilhões em direitos creditórios ligados a ações judiciais contra a União, impactando o setor sucroalcooleiro.
Nubank e Revolut disputam mercado bancário dos EUA
Nubank lançou oferta nos EUA; Revolut busca regulamentação plena para expansão no país.
TCDF bloqueia R$ 2,76 bi de ex-dirigentes do BRB por fraudes
TCDF determina bloqueio cautelar de até R$ 2,76 bilhões dos ex-dirigentes do Banco de Brasília envolvidos em operações fraudulentas.
Banco Central aperta regras para cripto e avisa Coaf
Banco Central implementa novas normas para operações com criptoativos, valendo a partir de 1º de outubro.
Jato ligado a empresário de Brasília é apreendido pela PF
Aeronave ligada a Daniel Vorcaro foi vendida em 2025, mas só teve transferência concluída após apreensão no Paraguai.