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IA muda avaliação de riscos na Sompo Seguros

Executiva da Sompo aborda impacto da inteligência artificial na avaliação e precificação de riscos do setor segurador.

São Paulo – O avanço da inteligência artificial (IA) está transformando o mercado de seguros, exigindo que as seguradoras revisem seus modelos de avaliação de riscos. Alessa Quane, CEO de International Markets da Sompo Seguros, detalhou em entrevista à Folha as mudanças que a tecnologia traz para o setor.

Segundo a executiva, o desafio não está na IA em si, mas na compreensão de como os segurados a utilizam e em que medida isso altera o perfil do risco coberto. "Se um arquiteto deixa de desenhar à mão e passa a usar IA para criar seus projetos, o risco muda significativamente, pois depende do treinamento e operação da tecnologia", exemplificou.

Por outro lado, o uso da automação e IA para processos antes manuais pode reduzir riscos ao eliminar erros humanos. "Quando um sistema automatizado funciona bem e é testado por um tempo, o risco se torna menor em relação à execução manual", acrescentou.

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A Sompo, que atua exclusivamente nos segmentos corporativos e agronegócio no Brasil, expandiu sua presença no seguro de responsabilidade civil profissional – conhecido como E&O (erros e omissões) – com a aquisição da Fator Seguradora em julho de 2026. Esse tipo de seguro cobre reparações e processos judiciais por danos a terceiros.

Alessa destacou ainda as oportunidades trazidas pela infraestrutura de data centers, que impulsiona o crescimento do segmento de seguros cibernéticos. Esses centros de dados envolvem múltiplos riscos complexos e coberturas altamente integradas, comparáveis a operações de plataformas de petróleo.

Segundo a executiva, nenhum segurador isolado é capaz de cobrir valores patrimoniais na casa das dezenas de bilhões de dólares exigidos por data centers, o que implica a necessidade de soluções coletivas.

A executiva também chamou atenção para o maior sinistro enfrentado pelo setor em 2024, decorrente de uma falha no software da empresa de segurança cibernética CrowdStrike, que causou paralisações em sistemas Windows e impactou serviços essenciais como o 911 nos Estados Unidos. Este evento superou inclusive desastres climáticos, como os incêndios na Califórnia em 2023, que atingiram áreas residenciais valorizadas.

No Brasil, a Sompo enfrentou dois grandes eventos climáticos em 2024: uma inundação na região do Rio Grande do Sul que prejudicou instalações industriais e cargas, e uma seca histórica na Amazônia que provocou o encalhe de embarcações, dificultando o transporte das mercadorias seguradas.

Em relação às apólices para pessoa física, a Sompo mantém no Brasil seguros agrícolas e para máquinas e equipamentos de produtores rurais. Em 2023, a companhia vendeu sua linha de seguros de varejo para a HDI Seguros.

Sobre seguros marítimos em áreas de conflito, como na guerra do Irã e o fechamento do estreito de Hormuz, as seguradoras enfrentam riscos elevados devido a ataques a navios. A Sompo adotou políticas restritivas para aceitar riscos relacionados a navios de certas bandeiras e mantém cláusulas específicas que estendem a cobertura em situações de guerra por um período de 15 dias para que os navios possam sair das áreas afetadas.

Por fim, Alessa ressaltou a importância de garantir que os clientes sejam devidamente treinados para o uso correto da IA e que revisem regularmente os trabalhos gerados por esses sistemas para manter uma avaliação adequada dos riscos segurados.

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