Executivos pedem ajuste fiscal e reformas no governo
Durante evento em São Paulo, líderes empresariais ressaltaram a importância de uma gestão fiscal responsável e reformas estruturais para estabilidade do Brasil.
São Paulo — Executivos brasileiros destacam que o próximo governo deverá priorizar a implementação de um ajuste fiscal responsável, acompanhado de reformas estruturais, para restaurar a confiança dos investidores e estabilizar a economia do país. As manifestações ocorreram em evento da Folha, realizado na quinta-feira (24), que marcou o lançamento do site C-Level, voltado a negócios e finanças.
O economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, salientou a necessidade de o futuro governo oferecer uma visão clara de futuro e estabelecer um ambiente de paz e estabilidade política para que se possam implementar medidas econômicas efetivas. Segundo ele, não existem soluções rápidas para o ajuste fiscal, sendo indispensável um processo gradual que contemple vários aspectos econômicos.
Leandro Vilain, associado à Febraban, reforçou que uma solução instantânea e simplificada ao tema fiscal é improvável, e que a Previdência e as contas públicas precisam ser cuidadosamente trabalhadas para equilibrar a economia. Outros executivos, como Isaac Sidney, presidente da Febraban, acrescentaram que estabelecer uma agenda inicial clara que combine investimentos, produtividade e contenção de gastos é fundamental para delinear expectativas e conquistar credibilidade no mercado.
A importância de reformas previdenciárias também foi reforçada pelo sócio-fundador da Lazuli Partners, Piero Minardi, que afirmou que o novo governo não deve concluir seu mandato sem mudanças significativas nesta área. A alta taxa de juros e seus impactos sobre setores como o agronegócio foram apontados por Eduardo Monteiro, da Mosaic, que defende também uma gestão eficiente dos gastos públicos para sustentar melhorias econômicas.
Além do ajuste fiscal, líderes empresariais reivindicaram reformas regulatórias mais amplas, incluindo mudanças nas leis trabalhistas para aumentar flexibilidade, conforme declarou Alessandro Cunha, CEO da Aviva, e a expansão da segurança jurídica para fortalecer o ambiente de negócios. Camila Pantera, executiva da N5X, mencionou a necessidade de fortalecer instituições regulatórias como a CVM, Banco Central e Aneel para viabilizar políticas públicas eficazes.
Setores específicos, como o de tecnologia e entretenimento, também foram citados por seus representantes, que frisaram a importância de atualizações regulatórias que promovam inovação, segurança e competitividade, apontando a regulamentação das apostas e controle na cadeia de revenda de ingressos como demandas imediatas.
Em resumo, o alinhamento entre medidas fiscais responsáveis, reformas estruturais e fortalecimento institucional foi apontado pelos executivos como caminho essencial para garantir não só a estabilidade econômica, mas também a retomada do crescimento sustentável do Brasil no próximo ciclo de governo.
📰 Veja também
Daniel Vorcaro e os R$ 14,3 bi em direitos creditórios
Daniel Vorcaro possui R$ 14,3 bilhões em direitos creditórios ligados a ações judiciais contra a União, impactando o setor sucroalcooleiro.
Nubank e Revolut disputam mercado bancário dos EUA
Nubank lançou oferta nos EUA; Revolut busca regulamentação plena para expansão no país.
TCDF bloqueia R$ 2,76 bi de ex-dirigentes do BRB por fraudes
TCDF determina bloqueio cautelar de até R$ 2,76 bilhões dos ex-dirigentes do Banco de Brasília envolvidos em operações fraudulentas.
Banco Central aperta regras para cripto e avisa Coaf
Banco Central implementa novas normas para operações com criptoativos, valendo a partir de 1º de outubro.
Jato ligado a empresário de Brasília é apreendido pela PF
Aeronave ligada a Daniel Vorcaro foi vendida em 2025, mas só teve transferência concluída após apreensão no Paraguai.