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Ex-banqueiro Daniel Vorcaro solicitou intervenção do Banco Central na negociação com Caixa Econômica

Daniel Vorcaro pediu ao ex-diretor do Banco Central que pressionasse a Caixa após técnicos da estatal contestarem aplicação em papéis do Banco Master.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro solicitou ao ex-diretor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, que a autoridade monetária pressionasse a Caixa Econômica Federal após técnicos da subsidiária da Caixa, a Caixa Asset, terem sido afastados por se manifestarem contra uma aplicação financeira em letras do Banco Master. As informações foram reveladas em reportagem publicada pela Folha.

Em julho de 2024, três funcionários da Caixa Asset perderam seus cargos depois de se posicionarem contrariamente à compra de R$ 500 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. A compra dessas letras não ocorreu e, caso tivesse sido efetivada, a Caixa estaria entre os credores do banco Master, considerando que tais letras financeiras não possuem garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Na época dos fatos, Paulo Sérgio Neves era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, responsável pela fiscalização da estabilidade e eficiência do sistema bancário. Segundo a defesa do ex-diretor, ele atuava na supervisão de bancos médios e pequenos de São Paulo, e seu contato com o caso Master se deu exclusivamente para verificar apontamentos relevantes à supervisão do banco.

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Em mensagens trocadas em julho de 2024, Vorcaro sugeriu que o Banco Central solicitasse à Caixa que emitisse comunicado oficial desautorizando o relatório técnico dos funcionários afastados, alegando que o documento não refletia a análise completa da Caixa. Ele indicou que já havia conversado com pessoas dentro da Caixa para sustentar essa iniciativa. Paulo Sérgio respondeu afirmando que o Banco Central havia interpelado a Caixa para incluir apuração sobre o vazamento das informações internas, com vistas à investigação.

Além disso, Vorcaro manifestou preocupação com o impacto negativo que a divulgação da situação poderia ter sobre o Banco Master, que enfrentava graves problemas de liquidez. A tentativa de negociação incluía também ofertas aprovadas pelo fundo de pensão Amprev (Amapá Previdência), que realizou aplicações graduais em letras financeiras do banco.

A Caixa, por sua vez, informou que a Caixa Asset é uma entidade autônoma dentro do conglomerado, com governança própria para decisões técnicas, judiciais e administrativas. A estatal reforçou que não houve compra das letras do Master e que todas as decisões passam por processos criteriosos de avaliação.

O Banco Central e a defesa de Daniel Vorcaro não se posicionaram sobre essas questões. A defesa de Paulo Sérgio Neves sustentou que ele não tinha competência para conduzir as tratativas junto à Caixa e que suas ações visavam exclusivamente a estabilidade do sistema financeiro nacional, sem conexão com interesses particulares de Vorcaro.

O episódio reforça os desafios enfrentados pelo Banco Master nos meses que antecederam sua liquidação, incluindo a exigência do Banco Central para adequação da gestão de liquidez e as dificuldades em cumprir obrigações no curto prazo, apesar da tentativa de captar recursos de forma estruturada e com prazo alongado nas letras financeiras.

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