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Documentos revelam incertezas sobre controle da Pincred entre irmãos Kallas, aponta jornal

Dúvidas sobre quem controla a financeira Pincred, Francine ou Lucas Kallas, emergem a partir de documentos analisados pelo Valor Econômico.

Lucas Kallas, fundador da Cedro Mineração - Cedro/Divulgação
Lucas Kallas, fundador da Cedro Mineração - Cedro/Divulgação

Documentos levantados revelam incertezas sobre quem realmente controla a financeira Pincred, localizada no Piauí: se a empresária Francine Kallas ou seu irmão, Lucas Kallas, também empresário da Cedro Mineração, conforme reportagem do Valor Econômico.

Em agosto, o Banco Central autorizou que Francine assumisse o controle acionário da Pincred. No entanto, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) havia aprovado a aquisição da mesma financeira por Lucas Kallas um ano e meio antes. Essa contradição despertou questionamentos sobre a real titularidade do controle da empresa.

A distinção é fundamental para o Banco Central validar se o controlador atende aos critérios necessários para operar no setor financeiro, como reputação ilibada, capacidade financeira e origem lícita dos recursos. Até o momento, não há clareza se a análise do BC considerou apenas Francine ou também Lucas Kallas.

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Nenhum dos dois irmãos possui condenação judicial até o momento, o que, segundo diretrizes da Procuradoria-Geral do Banco Central, é requisito para declaração de inidoneidade.

Histórico e investigações relacionadas

Lucas Kallas já foi indiciado pela Polícia Federal na Operação Parcours, sob suspeita de envolvimento em esquema de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, região metropolitana de Belo Horizonte. Posteriormente, ele deixou a presidência do conselho de administração da Cedro Participações, grupo empresarial que inclui a Cedro Mineração.

Francine Kallas também aparece em investigações, entre elas um pedido feito por um executivo da Cedro para que seu e-mail fosse cadastrado em fundo administrado pela Reag, gestora acusada pelo Banco Central de fraudes relacionadas ao Banco Master.

Além disso, registros de mensagens indicam que Lucas Kallas e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, mantêm relações de negócios, incluindo viagens para prospectar oportunidades na Venezuela, investimentos conjuntos em biotecnologia e contratos para construção de hospitais.

Em 2024, Lucas tomou um empréstimo de R$ 254,8 milhões junto ao Banco Master, cedido depois ao Banco Voiter, sem que tenha sido confirmado o pagamento da dívida. Tentativas de transferência desse empréstimo ao BRB foram bloqueadas pelo compliance do banco estadual devido às investigações criminais envolvendo Lucas.

Posição dos envolvidos e entidades

Em nota ao Valor Econômico, a assessoria de Lucas e Francine Kallas afirma que ambos são acionistas da Cedro Participações e que a aquisição da Pincred foi aprovada sem ressalvas pelo Banco Central e pelo Cade, com base em documentos apresentados.

A defesa de Lucas ressalta confiança na inocência dele, alegando que o indiciamento baseia-se em fatos antigos já arquivados na Justiça. Quanto ao empréstimo com o Banco Master, a assessoria afirma que foi regular, quitado e que os recursos estão disponíveis para notificação do liquidante do banco.

O Cade informou não ter sido oficialmente comunicado sobre nenhuma reestruturação societária, ressaltando que os efeitos concorrenciais da operação não alterariam caso o mesmo grupo econômico permanecesse como comprador.

Conexões e representações jurídicas

Lucas Kallas possui ampla rede de conexões, incluindo ligações a três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre elas, destaca-se a contratação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, para representação em processos relacionados à extração ilegal de minério.

Também há contratos de sua holding com o instituto educacional fundado pelo ministro André Mendonça, e a contratação do advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, para sua defesa em acusações ambientais.

O caso ainda está sob investigação e monitoramento das autoridades competentes, com os envolvidos negando irregularidades e aguardando desfechos judiciais.

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