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Bradesco mantém cautela e não prioriza compra de carteiras

CEO do Bradesco sinaliza que aumento da inadimplência está ligado à desaceleração econômica e destaca foco em crédito mais seguro.

O Bradesco, um dos maiores bancos do Brasil, não considera prioritária a participação no programa Desenrola 3, lançado pelo governo Lula para incentivar a compra de carteiras inadimplentes com desconto mínimo de 90%. A informação foi dada pelo CEO do banco, Marcelo Noronha, em 23 de outubro de 2026, durante a divulgação do balanço trimestral da instituição.

Segundo Noronha, embora a equipe do Bradesco avalie a iniciativa, o grupo não vê mérito suficiente para se envolver de forma expressiva no programa, preferindo focar em outras estratégias no mercado de crédito.

O banco não está vendendo carteiras de crédito, e o executivo ressaltou que há outras oportunidades disponíveis no mercado financeiro que não envolvem o Desenrola 3.

Inadimplência em elevação

O índice de inadimplência do Bradesco, considerando atrasos superiores a 90 dias, alcançou 4,6% em setembro de 2026, representando um aumento de 0,3 ponto percentual em relação a junho e de 0,5 ponto em doze meses. Parte dessa alta decorre de operações com micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) que possuem garantia do governo federal, cujo prazo para acionamento da garantia é mais longo após o inadimplemento.

Noronha atribui o aumento da inadimplência também à desaceleração econômica e ao alto comprometimento da renda familiar. O banco projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 1% para 2027, inferior à expectativa de 1,83% do mercado para 2026.

Estratégias para mitigação de riscos e resultados

Em um cenário de maior cautela para concessão de crédito, o Bradesco conseguiu controlar suas despesas e apresentar crescimento no lucro líquido do terceiro trimestre, que alcançou R$ 7,1 bilhões, aumentando 0,8% em relação ao trimestre anterior e 14,6% na comparação anual.

Desde a chegada de Marcelo Noronha à presidência em novembro de 2023, o banco busca recuperar níveis de rentabilidade do período pré-pandemia, quando o retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) era superior a 20%, atualmente em 16%.

O executivo afirmou que a instituição está focada no crescimento seletivo, evitando linhas de crédito pessoal sem garantias e privilegiando produtos mais rentáveis e com menor risco. Investimentos em tecnologia e redução da rede física também fazem parte da estratégia de modernização.

Noronha destacou que a carteira de crédito do Bradesco está mais controlada e segura em comparação ao passado, apesar da pressão crescente no mercado pelo aumento da inadimplência e custos relacionados ao crédito.

"Vejo um horizonte de maior pressão de crédito, de custo de crédito e um índice de inadimplência um pouco maior, mas eu tenho uma segurança aqui que a nossa carteira é muito mais controlada do que o mercado. Isso não significa que não se tenha lucro suficiente para pagar", concluiu o CEO.

Dados gerais do Bradesco

Fundado em 1943, em Marília (SP), o Bradesco opera com 1.741 agências, conta com cerca de 79 mil funcionários e atende a aproximadamente 75 milhões de clientes. Entre os principais concorrentes estão Banco do Brasil, Itaú, Santander e Nubank.

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