BlackRock prevê crescer 30% em ativos no Brasil até 2027
A gestora global prevê expansão consistente motivada pela demanda crescente por investimentos internacionais.
A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, espera expandir sua base de ativos no Brasil em cerca de 30% no ano de 2027, independentemente do resultado das eleições no país. O CEO da empresa no Brasil, Bruno Barino, destacou que o ritmo de crescimento atual varia entre 30% e 35%, motivado principalmente pelo interesse crescente de investidores brasileiros em aplicações internacionais.
Segundo Barino, aproximadamente 90% dos ativos administrados pela BlackRock no Brasil estão em investimentos offshore. Isso indica que a demanda por investimentos fora do país tem sido um vetor significativo para os resultados da gestora. Ele acrescentou que a mudança no comportamento dos investidores brasileiros tende a favorecer esse segmento, contribuindo para a expansão dos ativos.
O representante da gestora também afirmou que o interesse por fundos negociados em bolsa (ETF) tem crescido, citando a atuação da BlackRock através da marca iShares, que possui US$ 5,5 trilhões em ativos sob gestão globalmente. No Brasil, o número de investidores pessoas físicas que detêm ETFs aumentou de 639 mil para 862 mil em um período de um ano, segundo dados da B3, e o valor investido cresceu 62%, alcançando R$ 35,1 bilhões.
Além dos fundos para investidores institucionais, a BlackRock planeja ampliar sua atuação em segmentos diversos, incluindo investimentos em infraestrutura e tecnologia. Barino ressaltou que, apesar de a empresa ser uma gigante global, a presença da BlackRock no mercado brasileiro ainda é modesta em comparação com outras regiões.
O executivo destacou que o Brasil possui vantagens competitivas importantes para atrair investimentos internacionais de longo prazo, especialmente em áreas como portos, aeroportos, energia e data centers, segmentos estratégicos para a expansão da inteligência artificial. No entanto, ressaltou a necessidade de avanços regulatórios e uma política de estado estruturada para tornar o país mais atraente para esses projetos.
Barino afirmou que a capacidade do Brasil em competir globalmente por investimentos transformacionais depende mais da profundidade das reformas fiscais e do aumento da competitividade econômica do que do resultado eleitoral. "Independentemente de quem ganhar, a profundidade das mudanças definirá nossa capacidade para competir pelo investimento", declarou.
Em relação à percepção do país pelo mercado internacional, o CEO defendeu que investidores estrangeiros tendem a ter uma visão mais positiva do Brasil do que os próprios brasileiros, apesar das preocupações locais com juros altos e incertezas fiscais.
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