3T26: setores e ações em destaque nos balanços
Análise do mercado aponta crescimento setorial desigual e foco em resultados além dos lucros neste 3T26.
A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 (3T26) no Brasil inicia em um contexto econômico de desaceleração, manutenção de juros elevados e um mercado que já precificou grande parte das expectativas após o primeiro turno das eleições. Os investidores focam tanto nos lucros reportados entre julho e setembro quanto nas sinalizações para o ano seguinte, conforme apontam especialistas consultados pelo InfoMoney.
Para a equipe de estratégia do Santander, espera-se que o peso dos resultados do 3T26 seja diferente do habitual. Embora se projete, em média, resultados fracos, investidores tendem a relevar fraquezas de ordem macroeconômica, mirando um cenário potencialmente mais favorável e juros mais baixos a partir de 2027. Resultados abaixo do esperado por fatores específicos da empresa podem, contudo, ser penalizados pelo mercado.
O setor de Petróleo, Gás e Petroquímica é o principal responsável pelo crescimento da receita líquida e do Ebitda no período, marcado por alta dos preços do petróleo Brent e interrupções de oferta decorrentes de conflitos no Oriente Médio. Excluindo este setor, empresas domésticas apresentam crescimento modesto, com metade delas possivelmente enfrentando retração real.
Destaques setoriais e empresas monitoradas
Entre as empresas com resultados esperados de forma positiva para o 3T26 estão Embraer, Gerdau, Multiplan, Nubank, Smart Fit e Vibra. Por outro lado, CSN Mineração, Grupo Mateus, Grupo SBF, Marcopolo e Porto Seguro podem apresentar desempenho negativo.
O setor financeiro demonstra heterogeneidade, com projeção de lucro agregado crescente, impulsionado por bancos digitais e mercado de capitais. Itaú Unibanco é avaliado como referência em rentabilidade, enquanto Banco do Brasil enfrenta maiores desafios. A atenção está na qualidade do crédito e nas provisões para devedores duvidosos, principalmente diante do aumento de pedidos de recuperação judicial.
Setores considerados defensivos, como energia elétrica e saneamento, devem continuar apresentando crescimento saudável, ainda que com aumento das despesas financeiras devido a investimentos e endividamento. No segmento de seguros, taxas de juros elevadas favorecem resultados financeiros, embora haja pressão por aumento de despesas em algumas linhas.
Nos setores de telecomunicações, Vivo e TIM mantêm crescimento de receita apoiados por avanços tecnológicos, demanda por dados e inteligência artificial para eficiência operacional, mesmo com competição intensa e dinâmicas de preços agressivas.
Desafios para mineração, varejo e perspectiva geral
Mineradoras como Vale enfrentam impactos negativos decorrentes do minério de ferro mais fraco, enquanto Suzano e Irani destacam-se positivamente. No varejo, a desaceleração do consumo e custo de crédito elevado pressionam as vendas, com efeitos adversos para companhias como Magazine Luiza e Assaí. Smart Fit é apontada como exceção dentro do segmento.
De forma geral, tanto o Santander quanto a equipe de research da XP avaliam que o mercado está disposto a relevar impactos conjunturais da economia, valorizando empresas com controle de custos, expansão de margens e qualidade de ativos. Problemas específicos de execução podem acarretar penalizações, mesmo em ambiente de queda gradual dos juros, reforçando a importância da seleção criteriosa de ações nesta temporada.
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