Tenda vê vantagem competitiva com reforma tributária e mudança na jornada 6x1
Construtora aposta em produção própria e contratação direta para beneficiar-se das mudanças regulatórias.
A Tenda acredita que a reforma tributária e o fim da jornada de trabalho 6x1 são aliados do seu modelo industrializado de construção. Segundo a diretoria da empresa, que controla mais de 76% da mão de obra diretamente, essas mudanças regulatórias podem oferecer vantagens competitivas, apesar das incertezas financeiras ainda existentes.
A construtora já adotava a escala 5x2 em seus canteiros de obras e, no terceiro trimestre de 2026, transferiu o trabalho dos sábados para dias úteis. Essa reorganização ocorreu com custos pontuais mínimos e sem impacto no cronograma, apoiada pelo uso intensivo de mão de obra própria, que aumentou 6,8% em um ano, chegando a 6.113 trabalhadores diretos de um total de 7.959.
No âmbito da reforma tributária, a Tenda mantém um projeto-piloto para mapear seus efeitos sobre custos, créditos e fluxo de caixa. A empresa está em diálogo com a Receita Federal e outras entidades para avaliar o impacto das novas regras. Espera-se que a simplificação tributária e as medidas para habitação popular favoreçam diretamente o programa Minha Casa Minha Vida, foco principal da Tenda.
O CFO Luiz Maurício Garcia estima que a reforma possa agregar entre 1,5 e 1,8 ponto percentual à margem bruta da companhia. Porém, devido à incerteza sobre o cronograma e os efeitos práticos da reforma, o benefício ainda não está incluso nas projeções oficiais.
Apesar do otimismo com as mudanças, o resultado financeiro do terceiro trimestre de 2026 da Tenda apresentou uma queda de 48,7% no lucro líquido, que foi para R$ 57,3 milhões, abaixo das expectativas do mercado. Essa retração foi influenciada pela redução dos preços nominais, aumento nos custos de construção e ajustes relacionados a repasses e distratos.
A receita líquida alcançou R$ 1,25 bilhão, alta de 10,5% em relação ao ano anterior, mantendo-se próxima das estimativas dos analistas. No entanto, a margem bruta sofreu com custos adicionais de R$ 2,9 milhões vinculados à estabilização das fábricas e adaptações ao fim da jornada 6x1.
O volume de vendas da Tenda ficou aquecido, com aumento de 22,1% nas vendas brutas no trimestre, atingindo R$ 1,5 bilhão. Contudo, os distratos cresceram 55%, somando R$ 292,8 milhões, influenciados principalmente por uma greve de quase 20 dias na Caixa Econômica Federal, que atrasou processos de financiamento.
A Tenda vem ampliando sua atuação nas faixas de renda mais alta do programa Minha Casa Minha Vida, lançando 11 empreendimentos no trimestre com valor geral de vendas (VGV) de R$ 1,5 bilhão, e projetos das faixas 3 e 4 representam mais da metade do VGV lançado.
Para 2027, a empresa pretende aumentar o VGV dos lançamentos em 15% a 20%, buscando conciliar crescimento, geração de caixa e recuperação das margens. No dia de divulgação do balanço, as ações da Tenda caíram cerca de 11%, refletindo o cenário mais conservador do mercado.
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