Cade aprova compra da Medley pela EMS com condições para concorrência
Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou aquisição sob medidas para evitar concentração no mercado farmacêutico.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condicionou a aprovação da compra da farmacêutica Medley pela EMS à adoção de medidas para garantir a concorrência. A operação, avaliada em cerca de R$ 3,2 bilhões, agora será analisada pelo tribunal da autarquia, que tomará a decisão final.
O acordo exige desinvestimentos em dois grupos de medicamentos: o Clomid, usado em tratamentos de fertilidade, e a Naratriptana, indicada para crises de enxaqueca. Uma das medicações deverá ser transferida a uma terceira empresa, enquanto para a outra a fabricação para terceiros deverá ser mantida.
Essas restrições, já aceitas pelas farmacêuticas envolvidas, têm o objetivo de evitar que a união dos portfólios da EMS e da Medley leve a um poder de mercado exagerado, capaz de dificultar a concorrência ou causar aumento de preços.
A operação anunciada em março envolve a compra de 100% da Medley, pertencente à farmacêutica francesa Sanofi, pela Novamed, do grupo EMS, ligado ao empresário Carlos Sanchez. O negócio engloba o portfólio de medicamentos, suas marcas, direitos de propriedade intelectual e duas unidades industriais localizadas em Campinas (SP).
Em setembro, a área técnica do Cade já havia considerado o caso "complexo", recomendando análise detalhada acerca dos dois mercados afetados. Na maior parte dos 120 mercados analisados, que abrangem 253 medicamentos em sua maioria genéricos, não foram identificados riscos significativos à concorrência, levando em consideração a presença de vários fabricantes e a baixa fidelidade dos consumidores às marcas, que priorizam o preço.
No mercado farmacêutico brasileiro, EMS e Medley competem com outros grandes laboratórios como Eurofarma, Aché, Hypera, Cimed, Neo Química, Biolab e Prati-Donaduzzi.
Com o caso aguardando a avaliação do tribunal do Cade, não há garantia de que a aprovação será concluída ainda neste ano, dado o número reduzido de sessões antes do recesso da autarquia.
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