Porto Seguro vê lucro cair 14% no 3º trimestre com piora no crédito
Porto Seguro reporta lucro líquido recorrente de R$ 712,7 milhões no 3º trimestre, influenciado por perdas de crédito e aumento de sinistros.
A Porto Seguro, um dos maiores grupos de seguros do Brasil, teve lucro líquido recorrente de R$ 712,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, o que representa queda de 14,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo da média das estimativas coletadas pela Bloomberg, que previam lucro de R$ 797,7 milhões.
Paulo Kakinoff, CEO da Porto, atribuiu essa performance a um "cenário de crédito mais desafiador" no mercado. Um impacto significativo veio da Porto Bank, área de serviços financeiros do grupo, que acumulou perdas de crédito de R$ 843 milhões entre julho e setembro, aumento de 48% em relação ao ano anterior.
Segundo Kakinoff, essas perdas refletem um ciclo de crédito mais adverso e uma postura conservadora da empresa na gestão de risco, levando a maiores provisões para cobrir possíveis inadimplências.
O resultado financeiro do grupo foi de R$ 309 milhões no trimestre, 19% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Essa queda é explicada pela menor rentabilidade de títulos vinculados à inflação e pela performance abaixo da média do Ibovespa na alocação em renda variável.
Além disso, a Porto observou um aumento de 10,4% na base anual dos sinistros líquidos retidos — ou seja, no valor efetivo pago em indenizações aos segurados em diversos segmentos, como auto, vida, saúde, odontologia e patrimonial.
Na operação de saúde, a sinistralidade atingiu 82%, um crescimento de 4,7 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025. A empresa destacou que cerca de dois terços desse aumento se devem a "rupturas na cadeia de atendimento oncológico", além de um comportamento sazonal considerado atípico entre o segundo e o terceiro trimestre.
Em função desses resultados, a Porto Seguro revisou suas projeções para o ano. A expectativa de resultado financeiro foi ajustada de uma faixa de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,8 bilhão para um intervalo entre R$ 1,1 bilhão a R$ 1,5 bilhão. Já a projeção da taxa efetiva das operações foi reduzida de 23%-27% para 17%-21%.
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