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MP do Paraguai investiga Ueno Bank por simulação de venda de carteira de R$ 367,4 milhões

Ueno Bank é acusado de criar operação falsa para esconder situação financeira real, com envolvimento de empresas ligadas ao banco e prisões.

Fachada do prédio do Banco Central do Brasil
Fachada do prédio do Banco Central. Foto: Agência Brasil

O Ministério Público do Paraguai revelou que o Ueno Bank simulou a venda de uma carteira de créditos empresariais no valor de US$ 74,4 milhões (cerca de R$ 369,4 milhões, na cotação de 05/11) usando recursos próprios do banco. A denúncia envolve créditos concedidos a empresas vinculadas ao banco que estavam sendo investigadas por irregularidades.

A operação teria sido realizada por meio da venda da carteira para a Vinanzas SA, empresa que posteriormente foi constatado pertencer também ao Ueno Bank. A Vinanzas efetuou a compra em 15 de junho, mas seu saldo um dia antes da aquisição era de apenas US$ 93,8 mil (cerca de R$ 466 mil, na cotação de 05/11). Para viabilizar a operação, houve um aporte de US$ 76 milhões (cerca de R$ 377,4 milhões, na cotação de 05/11) em dinheiro no mesmo dia — valor que permitiu a compra da carteira de créditos na sequência.

As empresas incluídas na carteira receberam empréstimos expressivos entre 11 e 15 de junho em valores que variaram de US$ 6,8 milhões (cerca de R$ 33,8 milhões, na cotação de 05/11) a US$ 35 milhões (cerca de R$ 173,8 milhões, na cotação de 05/11), crédito fornecido justamente pelo Ueno Bank. Parte dos recursos foi encaminhada diretamente para a Vinanzas, que concentrou quantias para conseguir a aquisição.

Leia também: Ueno Bank fecha no Paraguai após fraude; oito presos e presidente renuncia

O Ministério Público destacou que essa estrutura impossibilita avaliar a real saúde financeira do banco, uma vez que a carteira de empréstimos permanece dentro da mesma instituição. As operações teriam mascarado a situação patrimonial da instituição financeira.

O escândalo levou o Banco Central do Paraguai a ordenar o fechamento das agências do Ueno Bank, assegurando depósitos de até US$ 38 mil (cerca de R$ 189 mil, na cotação de 05/11) por cliente. Além disso, foi anunciada a antecipação do pagamento pelo Fundo Garantidor de Depósitos para os clientes, que deve ser concluído em até cinco dias úteis.

Até o momento, oito pessoas ligadas diretamente ao banco foram presas, entre elas o presidente Juan Manuel Gustale Cardoni e outros executivos de alto escalão, além do presidente do Grupo Vázquez, maior acionista da instituição. Elas respondem por acusações como fraude, abuso de confiança e conduta indevida durante a crise.

Protestos em Assunção cobraram a saída do presidente Santiago Peña, que foi investidor no grupo até março de 2025, e a Polícia Nacional usou força para conter os manifestantes. O governo tem sido criticado pela supervisão aumentada de recursos públicos depositados no banco.

Fundado em 2021 como fintech, o Ueno Bank cresceu rapidamente e chegou a ter cerca de 3 milhões de clientes, tornando-se um banco de médio porte no país. No entanto, o recente escândalo provocou uma crise política e financeira importante, com repercussão na avaliação das medidas regulatórias e no mercado de crédito paraguaio.

Tags: Ministério PúblicoParaguaiUeno Bankbanco centralfraude financeira

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