Faculdade de André Esteves fatura R$ 70 milhões e planeja expansão com novos cursos
Instituto Inteli oferece bolsas a metade dos 700 alunos e pretende ampliar cursos voltados para áreas como engenharia e agronegócio.
O Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli), criado pelos banqueiros André Esteves e Roberto Sallouti, alcança perto da sustentabilidade financeira ao chegar ao quinto ano, com faturamento estimado em R$ 70 milhões, segundo a CEO Maira Habimorad. O Inteli oferece graduação, MBA e educação executiva, com 60% da receita vinda da graduação e 40% dos cursos de pós e executivos.
Atualmente, a faculdade conta com cerca de 700 alunos na graduação e capacidade para até 960 estudantes, além de cursos em horário complementar. O instituto tem planos para expandir sua área física e criar novos cursos, com destaque para engenharia de produção, um curso considerado transversal entre áreas técnicas e de negócios. Também há interesse em atuar em setores nos quais o Brasil é referência, como energia e agronegócio.
O Inteli oferece graduação em engenharia de computação e de software, ciência da computação, sistemas de informação e administração focada em tecnologia, além de cursos executivos. O objetivo é formar profissionais alinhados às demandas do mercado, encarando a distância crescente entre universidade e mundo corporativo. Para isso, o currículo inclui projetos práticos que exigem soluções aplicadas, integrando o aprendizado com experiências extracurriculares.
Sobre o risco de priorizar necessidades imediatas do mercado em detrimento de uma formação humanista e pesquisa básica, Habimorad destaca que a liderança deve promover pensamento crítico e cidadania, além de resultados financeiros.
Mais da metade dos alunos (370) recebem bolsas de estudo e vêm de todos os estados e 115 municípios do país, reforçando a crença de que talento não depende de localização. O valor médio mensal da graduação é de R$ 7.800. O percentual de alunas do sexo feminino é de quase 30%, bem acima da média de 10% em faculdades de tecnologia, e 25% dos estudantes se declaram pretos ou pardos. O programa de bolsas possui critérios socioeconômicos que contemplam a diversidade racial, e há políticas para promover a integração e mediação de conflitos entre estudantes de diferentes realidades.
As bolsas são financiadas por doadores que nomeiam as oportunidades, fomentando comprometimento tanto dos estudantes quanto dos benfeitores. A primeira turma se formou recentemente com 138 alunos.
Quanto à diversidade e inclusão, a executiva aponta que o tema precisou ser renovado para manter seu propósito, afirmando que não é razoável esperar que todas as empresas tenham todos os tipos de representatividade imediatamente, e que o importante é avaliar as ações e compromissos das organizações ao invés de simples fotos ou aparências.
Em relação ao impacto da inteligência artificial no ensino, o instituto tem adotado avaliações práticas em sala e apresentações orais para garantir a autoria das atividades.
Habimorad enfatiza a formação de líderes éticos comprometidos com a preservação do Estado de Direito e destaca que o Inteli, por ser uma instituição sem fins lucrativos, mantém uma postura firme quanto ao compromisso educacional, evitando a visão do aluno como cliente.
O futuro, na visão da CEO, exige uma fusão entre conhecimento tecnológico e entendimento dos negócios e do consumidor, com profissionais que dominem ambos os campos para gerar resultados inovadores e eficientes.
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