Fim da escala 6x1 faz turismo ajustar operações para o verão
Mudanças na legislação levam hotéis, bares e restaurantes a adaptar escalas e contratar mais para a nova jornada de trabalho.
O fim da escala 6x1, que será implementado a partir de dezembro, está provocando ajustes nas operações do setor turístico justamente às vésperas da temporada de verão, período que costuma impulsionar a movimentação econômica da área. Hotéis, bares e restaurantes avaliam mudanças para adequar-se a essa nova realidade e mitigar os impactos no custo de mão de obra.
Empresários do setor estimam que será necessária a contratação de funcionários para compensar a redução dos dias trabalhados, uma vez que a escala atual de seis dias consecutivos de trabalho por um dia de folga não será mais permitida. Essa mudança pode gerar aumento nos custos operacionais, o que pode refletir em repasses para os consumidores.
Segundo Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO, o setor hospitalidade depende intensamente da mão de obra humana e está reformulando escalas e montando bancos de horas para atender à nova legislação. Dados do Ministério do Trabalho indicam que a escala 6x1 era mais comum em atividades ligadas ao turismo do que em outros setores, com cerca de 50% dos empregos formais nos segmentos de transporte aéreo, alojamento e alimentação utilizando este regime no final de 2025.
Setores adotam estratégias para adaptação
Hotéis, como o resort Le Canton em Teresópolis, já realizam testes com novos modelos de escala, incluindo 5x2 e 12x36. A CEO Mônica Paixão enfatiza que investem em tecnologia para automatizar processos burocráticos, o que libera funcionários para outras funções e ajuda a controlar o impacto financeiro, que inicialmente poderia ser 20% maior, mas que agora é estimado em até 8%.
Além disso, medidas como substituição das refeições à la carte por bufês e suspensão da arrumação dos quartos aos domingos, exceto quando há entrada de hóspedes, estão sendo consideradas para reduzir a demanda por pessoal.
Nos bares e restaurantes, o presidente da ANR, Fernando Blower, aponta que as adaptações variam conforme cada operação, podendo incluir redução de horários e remanejamento de turnos para cumprir a nova legislação sem comprometer o funcionamento. O empresário Antonio Rodrigues, dono da rede Belmonte, destaca que a adaptação é inevitável e que bons gestores conseguem minimizar impactos, inclusive através da reorganização das escalas e contratação, se necessário.
Novas jornadas e limites de trabalho
Além do fim da escala 6x1, a legislação aprovada reduz progressivamente a jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 42 horas já a partir de dezembro e para 40 horas em 2027, sem redução salarial. Pode haver exceções negociadas em acordos coletivos para algumas atividades.
O setor de turismo, que emprega intensamente com jornadas de 6x1, precisará continuar ajustando suas práticas para manter a eficiência e atender às normas vigentes, equilibrando custos e qualidade dos serviços oferecidos.
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