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Ministro do Interior renuncia para voltar ao Senado e votar impeachment no Paraguai

Enrique Riera deixa Ministério do Interior e reassume assento no Senado para analisar afastamento de Santiago Peña.

O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5) para voltar ao Senado e participar do julgamento do impeachment contra o presidente Santiago Peña.

Segundo informação do jornal paraguaio ABC Color, que teve acesso ao decreto oficial, a renúncia de Riera foi aceita por Peña, que nomeou Carlos Humberto Benítez González como ministro interino e vice-ministro de Segurança Interna.

Riera era senador antes de assumir o Ministério do Interior e volta ao Legislativo no momento em que o Senado analisa se deve afastar o presidente definitivamente. Sua volta ao Congresso faz parte de uma estratégia para que ele participe do julgamento político.

Leia também: Senado do Paraguai rejeita renúncia e mantém impeachment contra Santiago Peña

Com isso, Ramón Catalino Retamozo Delgado, que estava como suplente, deixa a cadeira no Senado.

Horas antes, Riera entregou ao Congresso a carta em que o presidente Peña comunicava sua intenção de renunciar, pedido que não foi aceito pelos parlamentares. A renúncia poderia encerrar a crise política, mas o processo de impeachment seguiu em andamento.

Contexto da crise política e bancária

O Paraguai enfrenta uma crise política profunda após a quebra do Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso aos depósitos.

No dia 3 de novembro, o Banco Central iniciou a liquidação do banco por falta de recursos para cobrir as obrigações. O Ueno Bank tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões, na cotação de 06/11) em depósitos, incluindo fundos do Instituto de Previdência Social.

Peña, economista de formação, foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025.

A oposição apresentou pedidos de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, acusando o presidente de possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, além de criticar o Banco Central por encobrir irregularidades.

A Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment contra Peña por unanimidade, mas rejeitou o pedido contra Alliana.

Pouco depois, Peña anunciou sua intenção de renunciar, pedindo desculpas aos afetados e ressaltando seu desejo de preservar a estabilidade do país e instituições democráticas.

Porém, a renúncia não foi aprovada por falta de quórum no plenário, e o processo seguiu com o Senado iniciando o julgamento na noite de quinta-feira.

Peña deve comparecer ao Senado nesta sexta para apresentar sua defesa, e o julgamento irá decidir sobre seu possível afastamento definitivo da presidência.

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