Petrobras opera refinarias a 98% em outubro
Companhia elevou produção após guerra no Oriente Médio e prevê mudanças no mix para o verão brasileiro.
A Petrobras manteve em outubro um nível de utilização das suas refinarias de 98%, conforme declarou à Reuters o diretor de Processos Industriais e Produtos da empresa, William França. A operação em alta capacidade visa reduzir a dependência de importação de derivados como o óleo diesel.
A estatal operou próxima à sua capacidade máxima, respeitando normas de segurança e sem prejuízo às operações, apesar de algumas pequenas paradas, como na Refinaria de Natal (Rnest).
Desde o início do conflito no Oriente Médio, a Petrobras acelerou a produção de petróleo e de seus derivados para aproveitar os preços elevados do barril Brent, que influenciam o mercado internacional de petróleo bruto. A companhia também realizou operações acima da capacidade nominal em certos momentos, utilizando reservas técnicas do parque de refino.
Previsões para os próximos meses
A expectativa da Petrobras é que os índices elevados de utilização se mantenham em novembro e dezembro, com um ajuste no "mix" de refino. Em dezembro, a produção de gasolina deve ser intensificada para suprir a demanda no verão brasileiro, enquanto a oferta de diesel será reduzida, acompanhando o menor consumo após o término da safra agrícola.
A companhia prevê que a importação de diesel em dezembro será quase zero, devido à baixa demanda.
No primeiro semestre de 2027, a Petrobras estima uma queda na utilização para cerca de 96%, em função de uma parada programada combinada com obras de ampliação na Refinaria de Paulínia (Replan), prevista para durar aproximadamente dois meses, entre março e abril. Durante esse período, outras refinarias tentarão compensar a produção, mas não será possível manter a operação próxima de 100%.
Impacto financeiro e estratégia futura
William França ressaltou o papel fundamental das margens de derivados no terceiro trimestre, principalmente do diesel, cujo spread esteve próximo ao preço do Brent. Segundo ele, a combinação de alta produção, vendas e preços melhores fortalece o caixa da estatal.
Além disso, o novo plano de negócios da Petrobras, previsto para novembro, incluirá investimentos para tornar o Brasil autossuficiente em diesel até 2030. Atualmente, o país importa cerca de 30% da demanda por esse combustível.
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