Ex-sócio diz que Vorcaro comandava operações de consignado no Master
Augusto Lima afirmou à PF que Vorcaro tinha pleno conhecimento e controle das operações de empréstimos consignados no Banco Master.
São Paulo – Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que o ex-banqueiro tinha conhecimento detalhado e comandava todas as operações de empréstimo consignado do Banco Master. A declaração foi dada em 16 de outubro e integra o inquérito da Operação Compliance Zero.
Segundo Lima, Vorcaro centralizava as decisões operacionais, financeiras e estratégicas ligadas ao consignado, contrariando a versão do ex-banqueiro, que antes havia afirmado desconhecer detalhes do produto.
O ex-sócio disse aos investigadores que em dezembro de 2024, quando a equipe interna orientou a não processar determinados contratos, Vorcaro deu uma contraordem para que a operação fosse mantida. Ele também relatou que diante de questionamentos do Banco de Brasília (BRB) e do Banco Central sobre o lastro das operações, Vorcaro teria orientado funcionários a fornecer respostas evasivas ou falsas.
Lima declarou que o ex-banqueiro instruía a informar que os correspondentes bancários eram associações de servidores públicos da Bahia, como Asteba e Ceba, ou que os ativos haviam sido retirados de fundos de investimento. Essa estratégia teria sido usada para mascarar carteiras de crédito sem lastro e inflar os valores negociados com o BRB.
De acordo com ele, a operação inicial com o BRB, de R$ 750 milhões em julho de 2024, baseava-se em créditos regulares de funcionários públicos. No entanto, a carteira estruturada a partir do cartão Credcesta, criado por Lima para crédito consignado, nunca teve capacidade real de gerar valores entre R$ 5 bilhões e R$ 12 bilhões exigidos pelos auditores e pelo Banco Central.
Lima afirmou que a carteira de consignado foi fundamental para o crescimento do Banco Master entre 2019 e 2025 e que seria contraditório Vorcaro não conhecer essa atividade tão relevante.
O ex-sócio relatou ainda divergências com Vorcaro em relação à estratégia do banco, defendendo o foco exclusivo no Credcesta, enquanto Vorcaro teria direcionado a instituição para novas operações de atacado e aquisições. Lima deixou a gestão do banco oficialmente em maio de 2024, antes da operação com o BRB, e, por pedido do banco e do regulador, manteve em sigilo sua saída para evitar pânico no mercado.
A Polícia Federal concluiu o inquérito e indiciou Daniel Vorcaro, Augusto Lima e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB, incluindo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Lima foi indiciado sob suspeita de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A defesa dele nega participação nas fraudes investigadas, e a defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as declarações.
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