Raízen aprova reestruturação da dívida de R$ 65 bilhões
Maior recuperação extrajudicial do país prevê aumento de capital, aporte da Shell e divisão em duas empresas.
Os acionistas da Raízen aprovaram um plano para enfrentar a crise financeira da empresa, cuja dívida acumula cerca de R$ 65 bilhões, a maior recuperação extrajudicial registrada no Brasil. O anúncio foi feito em 30 de outubro de 2026, em São Paulo, e detalha medidas para garantir a continuidade dos negócios e reequilibrar as finanças.
O plano inclui o aumento de capital social da companhia em até R$ 39,8 bilhões. A multinacional Shell poderá participar com um aporte de até R$ 3,5 bilhões. A empresa Aguassanta também poderá contribuir com até R$ 500 milhões, caso opte por participar do processo.
Além desses aportes, será realizada a conversão de parte das dívidas dos credores em participação acionária na companhia. Os demais acionistas terão o direito de preferência para comprar novas ações entre os dias 9 de novembro e 8 de dezembro, visando preservar sua porcentagem de controle.
Para dar maior foco e eficiência às operações, a Raízen será dividida em duas empresas distintas, ambas open market, com ações negociadas em bolsa. Uma será responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes, enquanto a outra concentrará os negócios de etanol, açúcar e bioenergia.
Esse desmembramento será efetuado após o cumprimento das condições previstas no plano de recuperação e respeitando os prazos legais. Como parte do processo, os acionistas também aprovaram a redução do capital social da Raízen S.A. em até R$ 35 bilhões, feita pela entrega de títulos emitidos pela nova empresa de energia.
Também foram eleitos novos conselhos de administração para as duas empresas, com sete membros titulares e sete suplentes cada. Samuel Aguirre foi indicado para presidir a companhia de distribuição de combustíveis, enquanto Julio Cesar de Toledo Piza Neto foi indicado para liderar a empresa de etanol e bioenergia.
No âmbito executivo, Lorival Nogueira Luz Jr. estará à frente dos negócios de distribuição de combustíveis e lubrificantes, e Geovane Dilkin Consul comandará as operações de etanol, açúcar e bioenergia. Ambos pertencem à atual gestão e participam do processo de transformação iniciado há dois anos.
A companhia informou que iniciará um processo para avaliar a possibilidade de atrair investimentos para o negócio de distribuição de combustíveis, inclusive por meio de uma oferta pública secundária, onde acionistas venderiam parte de suas ações no mercado.
O CEO Nelson Gomes ressaltou que as decisões aprovadas trazem segurança e previsibilidade para a reestruturação da empresa, permitindo a continuidade do plano de transformação operacional e financeira.
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