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Especialistas indicam cautela e preferência por títulos IPCA+ no Tesouro Direto às vésperas do 2º turno

Com cenário político instável antes do segundo turno, analistas recomendam foco em títulos atrelados à inflação para investimentos de longo prazo.

A proximidade do segundo turno presidencial traz volatilidade ao mercado financeiro, especialmente ao Tesouro Direto, onde investidores buscam alternativas para proteger seus investimentos. Segundo especialistas consultados pelo Infomoney, a recomendação atual é evitar especulações e priorizar títulos IPCA+ para quem pensa em longo prazo.

Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, reforça que os títulos atrelados à inflação oferecem juro real acima de 6,6% ao ano em todos os vencimentos, sendo recomendados para investidores de perfil mais conservador e que desejam proteger a carteira contra oscilações. Ele destaca que prefixados oferecem pouco espaço para ganhos adicionais e prevê que, no cenário de reeleição do atual presidente, as taxas longas podem subir pelo menos 1 ponto percentual.

João Debom, sócio da Supernova Investimentos, explica que pesquisas eleitorais como a recente da Quaest têm impacto direto nas taxas dos títulos, especialmente nos prefixados e nos vencimentos mais longos que são mais sensíveis ao risco fiscal. A pesquisa que mostrou empate técnico entre os candidatos reforçou a volatilidade observada no mercado.

Leia também: Taxas do Tesouro Direto têm comportamento divergente após pesquisa Quaest com empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula

Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, acrescenta que a queda dos juros nos Estados Unidos tem ajudado a conter as taxas brasileiras, mas alerta para possíveis surpresas eleitorais ou fiscais que podem impulsionar as taxas para cima com força.

Fernando Benavenuto, sócio da Anvex Capital, destaca que as taxas têm reagido a cada nova pesquisa eleitoral, classificando esses movimentos como "prêmio eleitoral" que pode se reverter rapidamente.

Prudência na escolha dos títulos

Entre os gestores, há consenso de que os títulos vinculados ao IPCA continuam sendo os mais indicados para quem pode manter o investimento a longo prazo, dado que ainda proporcionam retornos reais elevados mesmo após avanços no preço desde o início do período eleitoral.

A preferência é respaldada em dados como o do IPCA+ 2050, que oscilou de IPCA + 7,08% para cerca de 6,32% em outubro, mostrando lucro real ainda expressivo. Roberto Motta, estrategista macro da Genial Investimentos, observa que títulos mais longos tendem a se aproximar de IPCA + 6%.

No segmento prefixado, a fonte de ganhos já foi bastante consumida, tendo a taxa do Tesouro Prefixado 2032 caído de 14,21% para 12,78%, o que reduz o potencial de valorização. Menezes indica que o juro real de equilíbrio está mais elevado por motivos fiscais e do cenário externo, diminuindo o espaço para ganhos nos prefixados.

Cenários pós-eleição e recomendações finais

Os especialistas concordam que a reação do mercado a uma possível vitória do candidato do PT será mais intensa e negativa do que a melhora potencial com a eleição do candidato do PL. Isso tende a pressionar os títulos longos, elevando as taxas e impactando seus valores de mercado.

João Debom recomenda que investidores evitem alterações bruscas de carteira baseadas em pesquisas eleitorais devido à volatilidade crescente e sugere estratégias de aportes fracionados para minimizar riscos.

Também é destacada a importância de considerar aspectos como liquidez e tributação nos movimentos de curto prazo, principalmente em um período tão próximo ao pleito, em que os pregões podem apresentar suspensões devido à oscilação.

Por fim, Alfredo Menezes ressalta que a decisão de investimento depende do horizonte individual e reforça a necessidade de cautela nesta última semana antes do pleito.

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