Taxas do Tesouro Direto têm comportamento divergente após pesquisa Quaest com empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula
Após pesquisa Quaest mostrar empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula, taxas do Tesouro Prefixado recuam ligeiramente, enquanto títulos IPCA+ apresentam alta.
Após a divulgação da nova pesquisa Quaest nesta quarta-feira (21), que apontou empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais com 45% e 44% das intenções de voto, respectivamente, as taxas do Tesouro Direto apresentaram movimentos opostos entre os títulos prefixados e os atrelados à inflação.
Até as 12h20, os títulos prefixados apresentaram pequena queda nas taxas de rendimento anual. O Tesouro Prefixado com vencimento em 2029 registrava taxa de 12,60% ao ano, levemente inferior aos 12,61% da abertura do dia. Já o Prefixado 2032 caiu de 12,80% para 12,78%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 manteve-se estável em 12,83%. Comparado com a tarde da última terça-feira (20), esses títulos acumularam recuos entre 1 e 3 pontos-base.
Em contraste, os papéis indexados ao IPCA tiveram elevação nas taxas nesse período. O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 subiu 2 pontos-base, atingindo IPCA + 6,83%. Outros títulos longos como IPCA+ com Juros Semestrais 2045 e IPCA+ 2050 também tiveram aumentos, chegando a IPCA + 6,72% e IPCA + 6,70%, respectivamente. Apesar disso, em comparação com a véspera, o IPCA+ 2050 ainda acumula queda de 3 pontos-base, enquanto o IPCA+ 2037 teve alta de 2 pontos-base.
A pesquisa Quaest, divulgada por volta das 10h, repetiu o equilíbrio numérico anterior do dia 14 de outubro, mostrando que a disputa presidencial permanece indefinida. Segundo João Debom, sócio da Supernova Investimentos, a pesquisa não reforçou o favoritismo da oposição que o mercado vinha precificando, o que explica a devolução parcial da queda nas taxas, principalmente nos prefixados e títulos mais longos, sensíveis ao risco fiscal.
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, destacou que a permanência da queda dos juros futuros, mesmo com a eleição em aberto, indica que o mercado já incorpora a expectativa de disputa equilibrada e também é influenciado pela redução nas taxas de juros dos EUA. Entretanto, ele alerta que surpresas eleitorais ou fiscais podem provocar alta significativa nas taxas.
Para investidores, Debom recomendou cautela diante da volatilidade esperada até o domingo das eleições. Ele sugeriu que quem pretende manter os títulos até o vencimento não precisa alterar sua carteira, e quem deseja aproveitar taxas atuais deve fazê-lo de forma gradual, sem apostar em um resultado eleitoral específico.
Taxas do Tesouro Direto às 12h20 (21/10/2026)
- Tesouro Prefixado 2029: 12,60% ao ano (vencimento em 01/01/2029)
- Tesouro Prefixado 2032: 12,78% ao ano (vencimento em 01/01/2032)
- Tesouro Prefixado Juros Semestrais 2037: 12,83% ao ano (vencimento em 01/01/2037)
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 6,75% ao ano (vencimento em 15/08/2032)
- Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 2037: IPCA + 6,83% ao ano (vencimento em 15/05/2037)
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 6,71% ao ano (vencimento em 15/08/2040)
- Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 2045: IPCA + 6,72% ao ano (vencimento em 15/05/2045)
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 6,70% ao ano (vencimento em 15/08/2050)
- Tesouro IPCA+ Juros Semestrais 2060: IPCA + 6,68% ao ano (vencimento em 15/08/2060)