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Ex-banqueiro usou financeira nas Bahamas para esquema

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro utilizava a Mosaic nas Bahamas como hub para distribuir dinheiro internacionalmente, segundo investigadores.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com barba e bigode aparados. As imagens, capturadas após a prisão do banqueiro em São Paulo, foram feitas no Complexo Penal II de Guarulhos, - Divulgação/Polícia Federal
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com barba e bigode aparados. As imagens, capturadas após a prisão do banqueiro em São Paulo, foram feitas no Complexo Penal II de Guarulhos, - Divulgação/Polícia Federal

Segundo investigação vinculada ao caso Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro utilizava a Mosaic, instituição financeira sediada em Nassau, nas Bahamas, como um centro estratégico para a distribuição de recursos no exterior. A empresa administrava fundos de investimento e, conforme apurado, integrava um esquema para remeter dinheiro ao exterior e distribuir valores sem rastros aparentes.

Os investigadores destacam que a quantia transitada pela Mosaic extrapolava o volume entregue ao Havengate, fundo americano administrado pelo advogado Paulo Calixto, também alvo da Polícia Federal por suspeitas envolvendo o financiamento do filme "Dark Horse", obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Parte considerável dos recursos encaminhados via Mosaic foi direcionada ao estado americano de Delaware, conhecido por sua legislação que permite o sigilo dos sócios de empresas registradas, funcionando como um paraíso fiscal interno. Esses mecanismos dificultam o rastreamento dos beneficiários finais dos repasses.

Além disso, a financeira nas Bahamas teria sido utilizada não somente para enviar dinheiro ao exterior, mas também para repatriar fundos ao Brasil, supostamente para custear honorários advocatícios e campanhas midiáticas relacionadas ao Banco Central e a adversários do ex-banqueiro.

Investigadores confirmaram que Vorcaro acionava a Entre, empresa familiar destinada a intermediar pagamentos internacionais, para movimentar recursos vinculados à Mosaic. O advogado do proprietário da Entre declinou comentários devido a um acordo de colaboração firmado com a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal.

Após a prisão de Vorcaro, conversas reveladas na imprensa indicam que foram enviados aproximadamente R$ 20 bilhões para o exterior, quantia que não estaria acessível ao ex-banqueiro devido à atuação das autoridades. Inclusive, o pai de Vorcaro, Henrique, cogitou usar parte desses recursos para quitar dívidas trabalhistas, porém o plano não avançou após a sua detenção em maio.

O dinheiro remetido foi bloqueado pelo liquidante do Banco Master, que contratou uma empresa internacional para monitorar os bens do ex-banqueiro no exterior. Atualmente, há disputa judicial entre a Mosaic e o liquidante sobre a destinação desses valores, com o liquidante pleiteando o uso para ressarcimento dos credores do banco, enquanto a financeira argumenta que os recursos devem ser destinados à União.

Os relatos do liquidante à Justiça dos Estados Unidos incluem informações sobre a compra e tentativas de venda de quatro obras de arte avaliadas em quase US$ 20 milhões, evidenciando o uso dos recursos para aquisição de bens de luxo, como imóveis, iates e jatinhos.

Até o momento, nem a defesa de Daniel Vorcaro nem representantes da Mosaic forneceram respostas à reportagem. As investigações prosseguem para identificar os reais beneficiários dos fundos desviados e a relação entre as diferentes trilhas de dinheiro nas operações internacionais.

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