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Dólar em alta reacende dúvida sobre investimento no exterior

Com o dólar em valorização, especialistas recomendam diversificação e investimento gradual, sem tentar prever o momento ideal da compra.

O dólar voltou a se valorizar nesta semana, chegando a cerca de R$ 5,08, após ter caído abaixo de R$ 5 logo após o primeiro turno das eleições. Esse movimento reacende a dúvida comum entre investidores que ainda não aplicaram recursos no exterior sobre qual o momento ideal para iniciar esses investimentos.

Apesar da valorização recente, especialistas ressaltam que é difícil cravar o momento certo para comprar dólar. A recomendação é utilizar recursos em moeda estrangeira para proteção e diversificação da carteira, não necessariamente para superar o rendimento do CDI.

Perspectiva de mercado e influência da eleição

Relatório do banco Goldman Sachs divulgado em 13 de outubro projeta uma cotação do dólar em R$ 4,70 daqui a três meses, sob a condição de que haja ajuste fiscal e governabilidade favorável no pós-eleição. Contudo, pesquisas eleitorais recentes apontam um segundo turno mais acirrado, o que traz maior volatilidade cambial.

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Além disso, a expectativa de cortes na Selic reduz gradualmente a diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos, fator que atualmente atrai capital estrangeiro para o país. A pressão sobre o real também pode ser maior em dezembro, período no qual historicamente há saída de recursos financeiros do Brasil.

Tendências de longo prazo e recomendações dos especialistas

Segundo Marina Valentini, estrategista de mercados globais da JPMorgan Asset Management, o real apresentou desvalorização média de 3,3% ao ano frente ao dólar na última década, influenciada por fatores como inflação mais alta no Brasil e maior endividamento em comparação a países vizinhos.

A XP recomenda que investidores mantenham pelo menos 15% do patrimônio em dólar, divididos equilibradamente entre renda fixa e ações. Para Valentini, muitos brasileiros ainda concentram seus investimentos em ativos domésticos, enquanto há espaço para participação no crescimento de lucros no exterior.

Estratégias para renda fixa e ações no exterior

Na renda fixa internacional, a preferência recai sobre títulos com vencimentos curtos ou intermediários, que apresentam menor volatilidade diante de preocupações como a dívida americana e os preços do petróleo.

A BlackRock, por exemplo, alterou sua recomendação para títulos do Tesouro americano (Treasuries), passando a indicar aqueles de curto prazo após seis anos sugerindo venda dessas posições. Já a JPMorgan Asset Management recomenda papéis com vencimento em torno de cinco anos.

No segmento de ações, um dos principais alertas está ligado à concentração das maiores empresas. As dez maiores companhias representam cerca de 40% do índice S&P 500, o que amplia riscos associados a setores específicos como tecnologia e inteligência artificial. A diversificação em bancos de países desenvolvidos, indústrias ligadas à construção de data centers e energia é uma alternativa sugerida.

Proteção cambial e cautela diante das incertezas

Para a Monte Bravo, o investimento no exterior deve ser parte permanente da carteira, mas é aconselhável proteger parte dessas posições contra a variação cambial por meio do hedge. Essa estratégia atua neutralizando os efeitos das oscilações do dólar em relação ao real, sendo interessante principalmente se houver valorização da moeda brasileira.

Investir o dinheiro no exterior também tem funcionado como proteção contra riscos fiscais e políticos do Brasil. Contudo, o hedge cambial pode eliminar essa proteção cambial, por isso sua utilização deve ser ponderada de acordo com o cenário macroeconômico e político.

Diante da volatilidade recente e da indefinição eleitoral, a orientação geral dos especialistas é comprar dólar e investir no exterior de forma gradual, evitando tentar prever o cenário de curto prazo e preferindo olhar para um horizonte de longo prazo.

Marina Valentini destaca que não se deve extrapolar a situação de curto prazo para o planejamento financeiro de longo prazo, reforçando a necessidade de uma postura equilibrada e diversificada nos investimentos.

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