Tesouro IPCA+ recua após rali eleitoral; investidores ponderam venda ou espera pelo 2º turno
Após valorização significativa antes do primeiro turno, títulos Tesouro IPCA+ devolvem ganhos com elevação das taxas, cenário que desafia decisões de investidores.
Quem investiu em títulos do Tesouro IPCA+ antes do primeiro turno da eleição presidencial chegou a observar valorização de até 13% em questão de dias. Contudo, desde o feriado seguinte à votação, as taxas de juros começaram a subir novamente, fazendo com que parte desse lucro fosse devolvido. Este movimento suscita dúvidas entre os investidores sobre a melhor estratégia: vender agora ou aguardar o segundo turno, agendado para 25 de outubro.
Os títulos com vencimentos mais longos, como o Tesouro IPCA+ 2050, foram os que apresentaram maior valorização inicialmente, acompanhando a queda inédita das taxas de DI após o primeiro turno. Entretanto, a sequência observada foi de alta nas taxas, com devolução superior a metade dos ganhos para o vencimento 2050, enquanto os títulos de prazos mais curtos, como o 2040, retornaram menos em relação à queda inicial. Já os títulos prefixados voltaram aos patamares do dia subsequente à eleição, ainda que abaixo do antes do pleito.
A mudança de cenário foi influenciada pelo aperto da disputa eleitoral, refletido no levantamento do Datafolha divulgado em 15 de outubro que indicou vantagem de apenas 2 pontos percentuais para Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) nos votos válidos. Pesquisas da Quaest e PoderData/Aya também sinalizam empate técnico. Além disso, fatores externos, como a alta da inflação nos Estados Unidos elevando os rendimentos dos títulos americanos e decisões no Senado brasileiro relativas à PEC que extingue a escala 6×1, influenciaram a instabilidade.
Em relatório, a XP recomenda realização parcial dos ganhos obtidos nos títulos públicos, sugerindo migração gradual para crédito privado isento de emissores com ratings AAA e AA, pois as debêntures incentivadas não acompanharam a valorização dos títulos públicos e passaram a oferecer prêmios maiores. O spread dessas debêntures sobre os títulos públicos atingiu seu maior nível desde o fim de 2024, com retornos chegando a IPCA + 10,6% ao ano, em comparação com IPCA + 6,7% do Tesouro IPCA+.
Entretanto, esse prêmio adicional reflete riscos superiores, já que debêntures, CRIs e CRAs não são garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apresentando menor liquidez e potencial exposição ao risco de calote. A XP reforça que o aumento dos spreads pode persistir diante de resgates em fundos do setor, recomendando por isso entradas graduais para preservar espaço para possivelmente ampliar posições.
Por outro lado, a Monte Bravo manteve a recomendação firme nos títulos IPCA+, ressaltando o atual nível elevado dos juros reais e o posicionamento ainda leve de investidores locais e estrangeiros, que pode proporcionar nova valorização no curto prazo. Para investidores que não precisarão do recurso antes do vencimento, manter o título até a data da amortização neutraliza os efeitos da volatilidade das taxas, pois a remuneração contratada será integralmente recebida.
Diante da volatilidade eleitoral, o Tesouro Selic surge como alternativa adequada para preservar a carteira, oferecendo retorno real atrativo com baixo risco e alta liquidez, conforme avaliação da Monte Bravo. Para exposição ao mercado de ações baseada no cenário político, a Privatto Multi Family Office recomenda limitar a participação entre 3% e 7% do patrimônio, preferencialmente via ETFs que seguem o Ibovespa.
Finalmente, após as eleições, a atenção do mercado deve se voltar à capacidade do próximo governo de consolidar credibilidade fiscal, especialmente relacionada à equipe econômica e à execução da agenda, fatores decisivos para a evolução dos indicadores financeiros.