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Cresce ceticismo sobre redução chinesa em títulos do Tesouro dos EUA diante de dados conflitantes

Análise aponta que China pode estar mascarando sua real posição em títulos americanos por meio de transferência para outros mercados, como o Canadá.

 ·  Atualizado em 15/10/2026 às 11h56

Um debate crescente em Wall Street questiona se a China realmente está se desfazendo de seus títulos do Tesouro dos Estados Unidos, como indicam os dados oficiais. Embora os registros mostrem uma queda significativa das reservas chinesas desde 2016, especialistas sugerem que a redução pode ser resultado de uma estratégia de transferência dos ativos para bancos custodiante em outros países, sobretudo o Canadá, mascarando a real posição do país no mercado.

Dados oficiais divulgados pelo Tesouro americano indicam que as reservas da China em títulos do governo dos EUA caíram pela metade, para cerca de US$ 618 bilhões. Além disso, ativos lastreados por agências federais de habitação também reduziram quase 50% desde o início de 2024.

Posição canadense mostra crescimento atípico

O dado curioso é o crescimento acelerado das posições do Canadá em títulos americanos, que hoje totalizam quase US$ 600 bilhões, quatro vezes o volume registrado cinco anos atrás. Analistas afirmam que essa escalada não representa um aumento real da participação canadense, mas sim uma redistribuição dos títulos originalmente chineses, que passam a ser contabilizados como pertencentes a outro país.

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Essa hipótese, conforme relatado por profissionais do mercado financeiro, sugere que a China usa instituições financeiras estrangeiras para ocultar sua participação real, dificultando a análise precisa da composição dos credores da dívida pública americana.

Motivações e implicações políticas

Além de distorcer estatísticas, a prática pode ser uma estratégia para a China diminuir a percepção de sua dependência financeira dos Estados Unidos e reforçar sua postura de desafio à predominância do dólar no cenário econômico global.

O sigilo mantido pela China sobre seus ativos externos e a recusa de órgãos reguladores em comentar episódios semelhantes contribuem para manter a incerteza sobre o tema.

Desafios para a China e o mercado global

Embora a China detenha grandes volumes em dólares devido ao seu superávit comercial, a venda em massa dessas reservas poderia desvalorizar suas próprias carteiras e valorizar o yuan, prejudicando a competitividade de suas exportações. Dessa forma, o país mantém uma posição delicada entre reduzir sua exposição e preservar seus interesses econômicos.

Especialistas apontam que a situação reflete um dilema da moeda americana: apesar do desejo de redução da influência do dólar, outras moedas não apresentam capacidade comparável para absorver o volume de dívida emitida pelos EUA.

Assim, a tese de que a China estaria efetivamente reduzindo suas reservas em títulos americanos é encarada com cautela, pois pode representar apenas uma fragmentação dos ativos em outras jurisdições, ao invés de uma saída real do mercado.

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