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Mercado global de títulos ganha força com queda nas ações de tecnologia e busca por segurança

Rendimento dos Treasuries dos EUA cai com aversão ao risco impulsionada por queda em papéis de tecnologia e preocupação com inflação.

Da 15/10/2026 às 11h13  ·  Atualizado em 15/10/2026 às 11h14

Os títulos públicos dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, apresentam uma alta global nesta quinta-feira (15), impulsionados por uma correção mais intensa em ações do setor de tecnologia, especialmente aquelas relacionadas à inteligência artificial, segundo informações da Bloomberg divulgadas pelo Infomoney. Esse movimento tem levado investidores a buscarem a segurança dos títulos soberanos em um cenário de maior aversão ao risco.

Ao longo de toda a curva de vencimentos, os títulos do governo americano registraram ganhos importantes, com os papéis de 30 anos reduzindo seus rendimentos em 12 pontos-base, chegando a 5,39%, uma mínima não vista nas últimas três semanas. Esse desempenho ocorre após o índice Nasdaq 100, que tem forte participação de empresas de tecnologia, ter recuado 1,9% na sessão anterior, refletindo a venda intensificada nesses ativos.

A demanda por segurança também foi observada nos mercados de outros países, com o Japão, Reino Unido, Alemanha e Austrália apresentando queda nos rendimentos de seus títulos soberanos, de até 10 pontos-base. Erik Liem, estrategista de juros do Commerzbank, destacou que a queda nas ações de tecnologia está determinando a trajetória do mercado, com os operadores buscando ativos considerados menos voláteis.

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Informações recentes revelaram que os preços ao produtor nos EUA subiram em setembro na maior intensidade dos últimos quatro anos, em grande parte devido ao aumento dos custos de energia. Esse dado reforça a expectativa de inflação ao consumidor acima do esperado, o que contribuiu para um aumento na precificação do mercado sobre a chance de alta de juros pelo Federal Reserve ainda neste mês, estimada em cerca de 35%.

Molly Brooks, estrategista de juros da TD Securities, afirmou que as preocupações relacionadas à inflação foram parcialmente superadas pela preferência dos investidores por proteção diante das incertezas sobre a sustentabilidade dos gastos em tecnologia e inteligência artificial em um ambiente de juros elevados. Ela também ressaltou que alguns componentes dos relatórios recentes de inflação podem indicar um cenário de menor pressão inflacionária, possibilitando valorização adicional dos títulos.

Gestoras renomadas, como Pimco e Morgan Stanley Investment Management, enxergam possibilidades de oportunidades em renda fixa, apesar dos riscos decorrentes do crescimento da inflação e da oferta elevada de dívida pública dos EUA. Dados mostram que o retorno de um índice que acompanha os Treasuries acumulou alta de quase 0,7% no mês, após queda de 2,2% em setembro, o que, se mantido, poderá representar o melhor outubro para esses títulos desde 2014, conforme compilação da Bloomberg.

Por outro lado, alguns especialistas ponderam que o movimento de valorização pode não ter continuidade sustentável. A PGIM, por exemplo, projeta que os juros continuarão em patamares elevados nos próximos anos em razão do sólido crescimento econômico americano, inflação persistente acima da meta e fatores externos, como tarifas comerciais que podem prolongar o ciclo de aperto monetário do banco central americano.

A busca por segurança em títulos tem sido atribuída também à pressão vendedora nos mercados acionários, principalmente nos Estados Unidos e Coreia do Sul. Uma Choudhury, estrategista do Westpac, relaciona a valorização dos Treasuries a uma típica movimentação de ativos de proteção em períodos de instabilidade dos mercados asiáticos.

Discursos mais moderados de dirigentes do Federal Reserve, como Mary Daly, presidente do banco central de San Francisco, que indicou necessidade provável de novas altas de juros, porém não imediatas, também contribuíram para o cenário positivo dos títulos. Enquanto isso, o dólar recuou após alcançar seu maior valor desde maio de 2025, com fundos de hedge reduzindo posições compradas contra várias moedas, incluindo o euro.

Especialistas apontam o papel crescente dos Treasuries como instrumento de porto seguro diante da volatilidade nas bolsas, tanto para rebalanceamento de carteiras quanto para diversificação dos riscos concentrados em ações. Kerry Craig, estrategista global da JPMorgan Asset Management, destacou a criação de valor nos mercados centrais de títulos soberanos nesta fase.

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