Christine Lagarde destaca impacto significativo do choque de energia e avalia cenário econômico da zona do euro
Presidenta do BCE afirma que choque energético é grande demais para ser ignorado e projeta inflação acima da meta até 2027.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, declarou em 17 de outubro de 2026 que o choque de energia em curso é “grande demais para ser ignorado”. A afirmação foi feita após reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bangkok, diante das incertezas sobre a intensidade e duração do conflito no Oriente Médio e seus impactos na economia global.
Lagarde afirmou que os riscos econômicos continuam inclinados para o lado negativo em relação ao crescimento e para o lado positivo no que tange à inflação. Em sua avaliação, a guerra no Oriente Médio e o conflito entre Rússia e Ucrânia elevam os riscos associados aos preços da energia, podendo tornar o choque mais intenso ou prolongado, além de gerar efeitos indiretos que estendam o período de alta nos preços.
Segundo a presidente do BCE, a política monetária da instituição seguirá uma abordagem baseada em avaliação abrangente dos dados econômicos e financeiros, guiada por três critérios principais: cenário de inflação e seus riscos, dinâmica da inflação subjacente e força do mecanismo de transmissão da política monetária.
Lagarde ressaltou que, apesar do impacto do choque energético, uma resposta moderada na política monetária continua adequada para manter a inflação sob controle. Ela observou ainda que as condições de financiamento se tornaram mais apertadas, com juros de longo prazo em alta desde a última reunião do BCE, o que tende a desacelerar o crescimento econômico e reduzir o repasse de custos inflacionários.
Em relação à inflação, a presidente estimou que os preços mais elevados de energia manterão a inflação total acima da meta de 2% até o primeiro semestre de 2027. Posteriormente, projeta-se uma queda gradual da inflação conforme os preços da energia recuem, com o indicador retornando próximo da meta ao final do ano de 2027. Ela mencionou também a expectativa de que a inflação de núcleo e de alimentos seja contaminada pela alta nos preços energéticos durante esse período.
Em termos econômicos, Lagarde destacou a resiliência da zona do euro, que apesar dos contratempos globais e do choque energético, tem demonstrado crescimento. As projeções do BCE publicadas em setembro indicam uma expansão econômica de 0,9% para 2026, seguida de 1,4% em 2027 e 1,5% em 2028. Esse crescimento receberá apoio da recuperação da renda real, mercado de trabalho resistente, investimentos públicos em infraestrutura e defesa, além da expansão em inteligência artificial e tecnologias digitais.