Trump atribui a assessores falhas na estratégia antes das eleições de meio de mandato nos EUA
Presidente Donald Trump questiona escolhas e gastos da campanha republicana às vésperas das eleições de 3 de novembro.
Na reta final para as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para 3 de novembro de 2026, o presidente Donald Trump vem atribuindo a seus assessores de alto escalão e estrategistas políticos a responsabilidade pela estratégia vacilante adotada pela campanha republicana, em meio a dificuldades para manter o controle do Congresso, conforme pessoas próximas às discussões internas da Casa Branca relataram à Reuters.
Embora Trump não esteja na cédula eleitoral nesta eleição, ele tem incentivado seus apoiadores a votarem como se estivesse, num esforço para potencializar a participação de eleitores republicanos. Ao mesmo tempo, o mandatário tem evitado assumir responsabilidade pelas decisões estratégicas, optando por culpar o desempenho ruim dos candidatos ao que atribui à sua própria impopularidade.
Um dos principais focos da insatisfação do presidente é James Blair, diretor do super PAC MAGA Inc., que gerencia os fundos da campanha, e Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca. Trump questionou principalmente a administração financeira de Blair, enquanto críticas internas também envolvem a supervisão política de Wiles. As fontes indicaram uma atmosfera de troca de culpas entre os assessores: Wiles atribui falhas a Blair, enquanto Blair direciona críticas à equipe legislativa da Casa Branca.
Esta situação ocorre em um contexto onde pesquisas indicam que os democratas lideram nas intenções de voto para a Câmara dos Deputados, com o Senado ainda indefinido. Uma derrota para os republicanos na Câmara comprometeria significativamente a agenda legislativa do presidente e abriria caminho para investigações conduzidas pelos democratas.
Apesar das críticas, Trump tem reafirmado seu apoio à chefe de gabinete Susie Wiles, descrevendo-a como “inteligente” e “dura” e sinalizando que ela permanecerá no cargo.
O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, contestou as alegações de dissensão interna, classificando-as como “especulações infundadas” de observadores externos. Até o momento, não houve resposta de Susie Wiles a pedidos de comentário.
Trump também tem desafiado sua equipe a justificar a ausência de resultados positivos nas pesquisas, mesmo com o investimento de cerca de US$200 milhões pela MAGA Inc. na campanha. Ele questiona ainda a eficácia da estratégia de redistritamento eleitoral, especialmente no Texas, onde o mapa eleitoral foi redesenhado para favorecer os republicanos, mas que agora pode se revelar contraproducente devido à fragmentação do eleitorado, em especial entre os eleitores hispânicos.
Embora Trump tenha mencionado anteriormente a possibilidade do retorno de James Blair à Casa Branca após as eleições, fontes indicam que esta volta é improvável. Já o futuro de Susie Wiles na equipe permanece mais indefinido, embora ela continue sendo creditada pela condução disciplinada da Casa Branca no segundo mandato do presidente.
Essas tensões internas refletem a dificuldade da campanha republicana em administrar a estratégia em um cenário político tumultuado, marcado por índices de aprovação baixos para Trump, preocupações econômicas dos eleitores e um conflito militar no Irã que influencia o panorama eleitoral.